A vida, sonho e poesia,

amor sem despedida.

Fecham-se os olhos do tempo

mas sentem a longa volta

das imagens em desfile,

das horas tantas e os dias,

os momentos que se foram

e que sublimes ficaram

eternos no pensamento.

Há flocos de luz no espaço

resplendentes encontrando

mãos que de longe se tocam

com carícias e afagos

ou que em palavras se olham

coração batendo forte.

A mente assim palpitante

é amor puro latente

transborda o amor nascente

e volta o canto de imagens

dentro das vozes de outrora

o tempo volta também.

Sim, o tempo está aqui,

verbo se fez palavra

e na palavra criou

o gerúndio de uma vida

feita de sonho e poesia!
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Um dia viverei o encanto

nas cores do arco-íris

que em beleza vislumbro

na vida rosa em botão,

na doce infância inda presa

numa caixinha de música

com seu veludo vermelho

bem junto ao meu coração

e as juvenis ilusões

e tantas gotas de orvalho

na esperança latente

meu futuro meu presente

branca faixa de alegria

correndo no pensamento

mais pura que o ar, correndo,

e tudo em cores guardado

no espaço azul do meu sonho

o azul que nunca se acaba

se transforma em melodia

embala o encanto da vida

eterna só por um dia,

vida, meu botão de rosa...
 

 

 
       
     
 

 
     
 

– Não me deixe, eu te peço –

disse humilde o vaga-lume

olhando a luz do luar.

Porém a lua distante

girando fria no espaço

não ouviu o seu penar.

– Não me deixe, eu te peço –

disse de novo a chorar

o doce lume de amor.

Mas a lua arredia

girando estranha no espaço

continuou a bailar

sozinha distante e fria.

– Não me deixe, não me deixe –

o vaga-lume gritou

alto a gemer, soluçar.

Só então solta no espaço,

a lua compadecida

deixou que a luz dos seus olhos

fosse amor solto no ar.
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Seja apenas melodia

linda, alegre e suave

aquele instante supremo

em que a luz dos seus olhos

se encontrar com os olhos meus!

 

O coração delirante

e o vento, vento constante

soprando arrebatará

o tão sublime minuto

marcado no calendário

da vida que está de volta

nas asas de luz dourada.

 

O sonho é que é azul,

o céu é apenas momento

que está suspenso no ar.

 

Uma explosão de mil cores

em nostálgica presença

de asas transparentes

e perfume ao luar...

De repente

 

assim tão de repente...

tudo se funde e converge

ao mesmo ponto de encontro:

– o êxtase da vida

 

vida apenas pressentida!
 

 

 
       
     
 

 
     
 

Eu quero

tecer a minha existência

com o fio da inocência

de uma criança pequena

que dá o primeiro passo

sem saber coisas da vida

 

Eu quero

cantar feliz a canção

que brota do coração

e seja puro otimismo

ao iniciar a jornada

ao som do amanhecer

 

Eu quero

a luz que brilha suave

o voar silente da ave

a paz que precede o sonho

sereno baixar de pálpebras

antes de a noite descer

 

Eu quero

mesmo em sono profundo

ver das janelas do mundo

a beleza dos minutos

que antecedem com clareza

o mergulho em mim mesma

 

Eu quero

partilhar o olhar tranqüilo

que seja amor seja brilho

seja sempre a alegria

e a solidariedade

que levarei pela vida

 

Eu quero

que essa criança em mim

dê à vida o meu sim!

 

 
       

 

     


 

 

Magda Helena Gomes
É pedagoga em Minas. Escreve muito por dever de ofício, e suas obrigações com o magistério a põem em contato com textos de alunos em concursos de poesia, dos quais participa como julgadora. Somente agora, por sugestão de pessoa amiga, resolveu enviar a O Caixote alguns poemas que escreveu, o que fez mais como exercício de sensibilidade poética. É também pianista.