Um silvo de passarinho

Entoa a flauta de Brahms.

Todo choro contido

debulha em adágios que não se tocam

(assim como o rumo de todas as coisas

que não se contém).

Declina o tempo, com sentido de morte e morrer.

E é muito cedo ainda, pra perceber.

Ampliar a angústia com clarineta e piano é buscar-se?
 

 


 
       
       
   

         
   

 

Agora eu era só ontem.

Hoje a paixão me fez visita

Quando você e eu éramos ontem.

E eu quis muito silêncio

Pra escutar sua presença de longe.

E nenhum ruído,

Para que pudéssemos ficar

Você e eu, ontem.
 

 


 
       
       
   

         
   

 

Trocar fechaduras de portas e janelas

Fechar frestas

Enrubescer o ambiente

Tapar claridade de sol e gentes

Maltratar coração que só aceitou

Colocar pra fora o macho que veio pra ficar

e só penetrou.
 

 


 
       
       
   

         
   

 

De noite senti desgraça entrando.

Em casa.

Não duvidei dela.

Ela riu.

Abri a janela para ela ressoar.

Tinha uma nuvem pra chuva.

Quis tirar este silêncio de mim.
 

 


 
       
       
   

         
   

 

Por que você vai embora
Logo agora que nunca mais fui lúcida?
 

 


 
       

 

 

 

 

 

     


 

 

Keila Mattioli Sousa
É de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, amiga de Manoel de Barros (que sempre avaliza seus poemas), psicóloga clínica, nascida em 15 de maio (precisa colocar a data completa???). Com 3 livros publicados e alguns concursos ganhos, todos sem importância política e literária.