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não para o meu propósito.
Se me criaram para A vontade não para minha vontade.
Por que ser um angustiado uma luz morta a se afastar rumoroso e instável a cada nova porrada?
Por que ser esse ponto de silêncio a criar um vácuo de solidão?
Por que ser esse corpo errante a andar com uma inexplicável vontade de sucumbir?
Se me criaram para UM propósito,
não para o meu propósito. |
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à deriva no horizonte de meu inconsciente. Um barco roto que viaja absolutamente errante onde sonhei vitórias-de-mim-mesmo.
Eu que vivo nesse passado sei que em meu mundo não há conquistas onde supus conquistas mas paredes desconhecidamente sem prumo a conduzir pelo nada meu barco.
Apenas meu barco. |
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Há uma ponte metálica entre o meu Eu Há uma harpa quebrada em minha sala.
Há um nacionalismo naquela conversa Há um ananás em cada regaço Há um coração bem guardado na cristaleira.
Há uma dor na janela Há uma carícia em cada quarto Há uma conversa besta no banheiro.
Há um homem olhando o clitóris Há um filho voando pelo espaço
Há um deserto em minha frente. |
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na Orquestra Primavera. A apresentação da primaveril não pode falhar. Tem de ser perfeita. Intacta.
O salão está vazio e poente não há ninguém ninguém que aplauda os músicos secos sequiosos nem mulheril para sentir a animação.
Eu que por pura distração submeto-me às sensações sem saber o que quero sei apenas que o som é real mas é apenas um som e nunca outra coisa e se me consolo ao som é porque tinha de ser e mais nada. Que me importa?
Os esqueletos tocam na orquestra prima vera mas o salão está pu ro
lacrimal. |
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Só, neste mundo do avesso. Só, desço a rua molhada. Serão lágrimas ou cachorro mijando? Ninguém sabe.
Só, em minha cama. Só, procuro um bonde Mas é inútil. Ele não vem. (Avisaram-me hoje que os bondes acabaram.)
Só pelo avesso. Nem roupa. Nem rouba. Só nu.
As classes se fundem: os ricos os riscos os pobres (os podres também). E eu?
Só preso ao meu complexo. Só pela rua molhada. Serão lágrimas ou cachorro mijando?
Ninguém sabe. |
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não é uma sombra qualquer essa sombra que me envolve é uma sombra meio submersa oscilante e vasta e lenta e misteriosa. Penetra-me fisicamente. Esgota-me.
Será essa minha sombra meu medo inato de não ter a audácia a audácia dos que constroem? ou será meu anoitecer essa sombra gasta
na parede de meu quarto? |
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e faz mais de uma hora que construo a morte sem amigos e mulheres que me consolem sem amantes que já se foram.
Que importa tudo isso? Numa grande cidade somos apenas um deserto dentro de um deserto. Apenas uma janela dolorosamente nossa – um espaço real, simbólico e cheio de significações. Uma espécie de cais aonde podemos nos chegar náufragos. Apagar as luzes
e arriar as velas indefinidamente. |
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por tê-la amado tão descaradamente e não ter sabido os limites de suas fronteiras. Acredite-me às vezes fico mudo e sem gesto por saber que na estrada de minha vida não terei o horizonte de seu corpo apenas uma superfície profunda e misteriosa sem deuses, flores ou filosofia. Desculpe-me por não saber onde escondo meu sonho em meus olhos – a retina ausente não o bastante para ser cego só ficou a idéia abstrata e inexorável
de sua imagem fugaz. |
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Seja o que for nas ruas amargas dessa babel não existe um lugar sequer – condenado ou vazio – que não tenha uma lágrima derramada desses olhos em danação.
Amor meu, como viver essa ausência? Triste alma que carrego nesse corpo impessoal porque nada me resta senão um silêncio de Minas
que só me faz mais insone e incompleto. |
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o respiro árido em obscuro fluxo, os olhares na vertigem infinita das palavras secas em vôo invisível – mistério ressoando no vazio – secretando pelas arestas um sangue sem sossego. Em verdade o corpo desenha a sombra que impele ao caminho efêmero. Mais nada.
Depois. |
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Duayer
Bibliografia |