ela não sabia

que sua vida

seria tão curta

 

tanto que fez

enxoval

curso normal

 

escrevia

num diário

fatos de seu

dia-a-dia

 

veio então

a tempestade

epidêmica

ela se foi

 

uma semana

depois

retornou

levando

sua irmã

mais novinha

 

viraram

anjos

 

tudo isso

ocorreu

há anos

e anos...

 

 
       

 

       

 

 

 
       
   

um colar

cristalino

verde-musgo

 

era dela

que se foi

em asas

 

minhas mãos

trêmulas

o recebem

 

cegam-me

lágrimas

profusas

 

rasgando

meu coração

– saudades –

 

 
       

 

     

 

 

       
   

corro atrás

de minha vida

que num sopro

aparentemente

passageiro

se pulverizou

vivo na ilusão

de resgatar

o inexistente.

 

 
       

 

     

 

 
       
   

um segundo

vira o mundo

 

devo ter

criado

fundas rugas

tamanho

transtorno

 

adaptações

não curto

pois sempre

preferi o já

conhecido

de altas

reputações

 

vontade

incontrolável

de sair

pelas

ruas gritando

putos palavrões

mas

o que consigo

é dizer

“viva esse

mundo cão!”

 

 
       

 

 

     


 

 

Belvedere Bruno
É cronista, poeta e reside em Niterói.