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* Tem um livro do Henry Miller, Trópico de Câncer ou Trópico de Capricórnio, em que ele fala de uma vitrine onde o cara que era incumbido de decorar estava fazendo uma série chamada "Um homem em fatias". No livro pára no capítulo 3... eu fiz o quatro.
Depois de uma hora de conversa e testemunhas, estávamos trancados dentro daquele bar. O seu Ventura percebeu nosso movimento e, em um ato de extrema caridade, baixou as portas. Todos ficaram do lado de fora, exceto nós. Eu e uma vadia. Vadia de cabo a rabo. Seu nome era M e M carregava uma verdadeira vitrine de selvageria sexual. Era daquelas que têm um belo corpo. Cheira à bebida. De péssimos hábitos. Estávamos nos comendo com os olhos. Eu, cansado daquilo, tentava, por baixo da mesa, enfiar meu dedo na buceta dela. Era uma buceta peluda. De pelos grossos, era macia. Ninguém percebia e eu não achava o buraco. Só olhavam como estávamos fechados em um mundo feito apenas daquele momento sórdido em que vivíamos. Nosso assunto era algo como: “Nunca imaginei que fosse olhar você desta maneira...blábláblá”. Eu já tinha imaginado M de quatro implorando para ser empalada com minha vara de osso. Meu pescoção. Fingia-me de desentendido e ouvia tudo com cumplicidade. O dono do bar entendeu e fechou as portas quando todos deram uma saidinha. O fato é que, alguns minutos atrás, a melhor amiga de M havia se declarado a mim e era meu aniversário e ela disse em meu ouvido que queria fazer algo que não ouvi direito. Foda-se. Eu queria fornicar com M e não com aquele pedaço de limo que era sua amiga. A garota fez o favor de explicitar sua vontade para todos os convidados. Todos vinham e davam-me tapinhas idiotas nos ombros como quem diz: “vai lá... acalma o dragonete”. Aquilo estava me irritando. Eu e a vadia não saíamos de perto um do outro. M já até fazia piadas sobre a minha aliança de compromisso. Eu tinha um anel e era realmente uma aliança. Minha compromissada não estava presente, claro. M colocava o anel em seu dedo e dizia que iria chupar minha namorada... Mergulhava a aliança na cerveja... lambia... colocava entre a língua e fazia muitas outras profanações sobre aquilo que deveria ser sagrado. Eu só pensava naquela carninha maluca que M escondia. Também tem outra verdade: essa garota com quem tinha um compromisso era uma mentirosa e suas mentiras começavam a vir à tona. Queria desmoralizar completamente essa idiota e sair ileso e com uma garantia de sexo qualquer (não que o sexo dela fosso algo, assim, ótimo. Ela era gorda e fedia). Eu tentava seguir M até o banheiro e invadir o ambiente de descarrego, ela sempre evitava dizendo que não poderíamos fazer aquilo e que seríamos pegos em flagrante. A saidinha foi quase que calculada por um amigo. Ele percebeu nossa situação e chamou todos para darem uma fumada. Eu e M ficamos e o seu Ventura cuidou do resto. Assim que as portas baixaram, voei na boca molhada com bafo de madrugada e inverno que M possuía. Eram lábios e língua bons como uma bebida barata que derruba no segundo copo. Até hoje estou derrubado por isso. Lembro enquanto escrevo da língua dela.
Nosso desejo era foder e foi isso que fizemos.
Fomos ao banheirinho e eu comecei a chupar aqueles peitinhos morenos.
Pareciam um lindo churrasco, ao ponto, pois não sangravam. Abaixei a
calcinha dela e tentei dar uma presa nela contra a parede. Não estava
funcionando assim. Tentamos comigo sentado na privada mas não dava também.
Coloquei-a virada de costas, mas o banheiro era apertado e não dava certo.
Tentamos por 15 minutos umas 50 posições e nada funcionava como deveria.
Decidimos parar e fomos embora. Cada um seguiu seu caminho. Eu ainda parei
em uma loja de conveniência (adoro esse nome) e comprei umas cervejas.
Voltei dirigindo e tomando. Passei pelo parque do Ibirapuera lentamente
pensando em meus sonhos. Nunca consigo penetrar ninguém em sonhos. Ou o
pênis escorrega... ou sei lá o que acontece. Nunca entra. Mas M era real. |
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“A garota dobrava as escadas muito rápido. Bufava e corria. Estava desesperada. Eram andares comuns... dois lances de escada, cada um. Um edifício alto e antigo. A idiota tinha ido fazer qualquer merda na casa da dona Jane e saiu correndo. Para nós, dona Jane sempre foi casta. O problema veio com aquele cara lá. Aquele maluco pornógrafo. Tenho certeza de que foi ele. Ela era amiga da menina do 124. A menina é boazinha... uma santa. O pornógrafo vivia chegando junto da menina. Ela rebolava e ele olhava. Tenho para mim que ele tentou alguma coisa... sabe? A dona Jane namorava o rapaz. Ele sempre vinha com flores e tal. Mas... não sei não.” Porteiro
“Para falar a verdade, eu conheço e posso falar: eu vi Jane Salama nascer. Nasceu pesada e já parecia uma vencedora. Era Jane Salama no mundo e deus no céu. Nunca vi nada igual. Duvido que tentaria algo com a garota. Jane sempre quis homens. Lembro até dos seus 15 anos... essa menina.”
Uma velha do edifício
Fulano |
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Parte um Verrugas e diretos |
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Olhou para a rua, entre as portas abertas e cheias de propagandas de cerveja. Percebeu que já era noite. O cheiro da fumaça dos carros havia diminuído e os marcadores na rua indicavam qualidade do ar boa. Filmou seu redor, soltou a gravata, abriu o colarinho e percebeu que, sob aquele teto, uns poucos tinham emprego ou família. Era tudo muito normal. Francisco, ou Franc para os amigos, não era diferente da multidão. Era só mais um rosto sórdido e suado na Paulista. – O Zé Mané, traz outra. Já pedi duas vezes, caralho. O balconista foi até a geladeira e trouxe uma cerveja muito gelada, tanto que ao toque de Franc ela congelou e ejaculou aquela espuma. "Filho de uma puta", pensou. – O porra, trás outra. O balconista foi lá e trocou sem mudar a expressão neutra, branca que carregava. Vida de cão. Franc levantou e foi ao banheiro urinar, perdeu mais um tempo fitando a verruga venérea. O negocio estava feio. "Merda", concluiu. No caminho de volta não parava de pensar na foda que rendera a crista. Franc fodeu com aquela nega do escritório, chupou tanto suas tetas que deixou marcas, meteu forte naquele cu que, quando tirou, saiu um peido e notou que seu nervo estava cheio de bosta. O Franc fez a mulher chupar tudo. Com bosta e tudo. Depois arrancou os dentes da frente com 5 socos diretos. A coitada nem reagiu. Ficou caída no banheiro com os peitos para fora e o sangue jorrando entre seus dedos escuros. Uma semana depois... aquela coisa brotou em seu pau. Porém, ele não tinha certeza: podia ter sido uma garota da Augusta que Franc tinha esfolado três semanas atrás. Com ele era assim, fazia forte nelas e depois dava uns tapas. Sempre batia nelas. Todas acabavam apanhando. Seja como for, agora ele bebia e continuava tendo sua visão turva e submersa. Copo após copo, era o ritmo do inferno. Dentro do bar, ninguém parecia ter entrado ou saído. Franc sempre estava de antena ligada. Sempre olhava para ver se tinha surgido uma mulher. Branca ou preta, gorda ou magra... qualquer uma era um páreo em que ele jogava. Já eram quase dez quando entrou uma senhora com roupas vulgares. Um grande decote mostrava os peitos cheios de silicone onde muitos marmanjos mamaram, um rosto cheio de plástica que lembrava uma máscara e os braços cheios de furo de celulite. Era quase velha. Era quase careca. Franc logo quis mamar por lá. Pôs-se em ataque. Ele e sua verruga davam olhares assassinos para a mulher e ela gostava. Sabe? Um olhar assim que diz “vem que tem”? Era isso. Estava lá. Já até pensava na surra. Alguém entrou e Franc não percebeu. Era um homem negro. Grande. Caminhou até Franc e deu um tapinha nas costas dele. – Cê é o Franc Nevada, chapa? – Sou, por quê? – Minha irmã... pediu para falar com você. – Quem é ela? – Cala a boca e vem comigo. Pegou o Franc pela nuca e levou-o até o reservado. Logo ao entrar, o negro deu um soco direto na cara do Franc e depois mais quatro. – Lembrou agora, safado? O negro abriu a calça e tirou um pau preto para fora. Franc começou a chorar e fechou os olhos. |
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Parte dois Amor de cão |
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Lorena chegou mais tarde do trabalho. Era uma quinta-feira normal que se tornou um dia infernal. Ela entrou pela porta de madeira do barraco e passou direto pelo irmão e pela mãe. Não disse nem oi nem que tem para jantar nem nada de nada. Apenas foi direto para o seu quarto onde dormia com seu nenê de 11 meses e com seu cachorro. Checou o berço e estava sem o filho lá. "Deve estar com a Matilde", pensou. Chamou pelo cachorro que veio correndo da sala. O animal entrou e ela fechou a porta. Lorena e o cão eram um amor só. O bicho não largava dela e tinha muito ciúmes da dona. Uma vez, Lorena voltou com um bichano da rua e o vira-latas acabou com ele. O marido de Lorena estava preso mas ela costumava, nas quartas-feiras quentes, ficar lá do lado do campo de futebol. Ela cobrava 5 reais cada chupada. Era um jeito de acabar com o marasmo e ganhar uns trocos para seu novo celular. Claro que, uma vez ou outra, usavam a força e ela não via a cor do dinheiro. Mas ela não ligava não. O problema tinha sido aquele dia. O cara do escritório era nojento. Fodeu com ela, fez comer bosta e ainda quebrou seus dentes. “FRANC NEVADA FILHO DA PUTA.” A donzela da favela estava deitada chorando pelo seu dia. Olhou no espelho quebrado: poucas marcas no rosto. Deu um sorriso e caiu no choro. Os dentes tinham ido embora. Começou a chorar e pentear os cabelos. Uma vez ou outra sorria na esperança de os dentes terem aparecido. Alguém bate à porta. – Lorena, é a mãe, você está bem? – Estou, onde está o Washington? – A Matilde levou para pedir dinheiro na Paulista. Deixou seus 10 reais adiantados no bercinho dele. – Lorena??? – A voz era do irmão. – Você tá legal, mana? – TôôôôôÔ, será que vocês vão me deixar em paz? Ela pegou o batom e começou a passar. Era uma merda estar sem os dentes. Chorou mais e ligou um samba no rádio. Tirou a roupa de trabalho e ficou nua na frente do espelho para ver se tinha alguma marca. Arrebitou a bunda e fitou seu cu no espelho. Olhou um pouco e deitou-se na cama, ao lado do cachorro. Fez carinho nele e começou a dar umas latidinhas, imitando cachorro, então começou a chorar como cachorro. Ele chorou também. – Você sabe que eu te amo? Lorena começou a masturbar o cão e depois experimentou com a boca. – É bom sem dente? Continuou até que o cão subiu nela e encaixou lá atrás. Estava sendo comida novamente. – Até você amor?
O cão terminou, saiu de cima e ficou arranhando a
porta, querendo sair. Ela abriu a porta e continuou a sua produção. Batom.
Escova. – Vou sair. E foi aí, bem nesta hora, que seu irmão notou. – Cadê os dentes? – O quê? – Os dentes.
Lorena fechou os olhos e começou a chorar. |
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2003 estava complicado. Ressaca atrás de ressaca. Eu acordava sempre cheio de dores e tinha que me barbear, colocar gravata e sair pela rua. É, eu tinha classe, mas perdi. O que faltava era vergonha na cara. Quer saber? Foda-se. Tinha uma sensação maluca andando entre as mulheres gostosas do metrô. Ficava surpreso. Às vezes, via uma ou duas com sua tetas para fora dando de mamar para seus bebês. Futuros dentistas, pedreiros, advogados e assassinos de qualquer outra coisa. Nós nascemos para matar. Todos nós. Nas piores ressacas, queria que as gostosas explodissem em toda sua gostosura. Tudo era vago. Os dias eram vagos mas eu tinha que estar por lá. Uma vez ou outra, entrava um filho da puta e pum, eu vendia o lugar onde ele iria brigar, chorar e amar. Amor. Amor. Quando eu vendia era ótimo. Metia a mão na grana e saía por aí feito rico. Foi aí que eu comecei a pensar.
Quando vem pouco dinheiro, você gasta tudo. Quando
vem muito também. O bom é gastar e sobrar. Torrar, torrar e sobrar. Deve
ter muita gente lendo isto e achando mil coisas a meu respeito. Eu quero
que você vá tomar bem no meio do seu cu. Bem, comecei a pensar no que
fazer. Investi em corridas de cavalos, loteria instantânea e pensava em
fazer uma viagem para ficar escrevendo. Como os grandes. Como o Henry
Miller na França, sei lá. Imaginem as noites de Cuba. Noites calientes.
Iria ser um tesão. Eu iria ser beeeem mais maluco que o Hemingway. “Noites
quentes em um bar em Varadero.” Eu, rum, charuto, mil morenas e um puta
mar. Todos sob Fidel e suas tranças cor de mel. Eu ia mandar bananas para
todo mundo. Banana pros EUA. Banana para os idiotas que eu conheci em toda
minha vida. Bananas para o cinema nacional. Para toda a galera hippye,
bando de invejosos. Bananas para o mercado imobiliário. Banana para você.
Nós lá em Cuba? Muito bem, obrigado. |
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Daniel Wiegel |