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Em uma súbita fração de segundo,
na qual algo se desliga
no meu sistema nervoso,
toco aliviado, flauto, jubiloso,
ritmos breves e ilusórios.
Melhor, pois nesta não toco mais nos meus ossos vertebrais.
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Músicas agradáveis
Ou para outros, intragáveis.
Para os que realmente sabem,
escreve-se para embelezar,
mostra-se sonoramente,
guerra
é
real,
amor
é
par.
Bonito prisma, reluz e informa.
Agrada com facilidade
mesmo causando revolta.
De verdades vivemos.
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Dum período a outro
há um grande intervalo acrônico
que portanto não se pode
chamar de intervalo.
Dum período a outro
há um sonoro vácuo sinfônico,
longo vácuo acefálico.
Dum período a outro
é-se tudo,
esgota-se a vida em alguns
segundos
e conseqüências se protraem no tempo.
Dum período a outro
nada pára para quem é atento.
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Talvez eu esteja entendendo.
Com o que me faz crescer nesse
real ilusório me contento.
Seguindo o raciocínio da pseudo-indignação,
não é verdadeiro o que me afaga.
É fato o fardo fétido e fodido que
me faz sentir como marionete.
É fato a melancolia de um mundo que escorre,
nebuloso, turvo e frio.
Um mundo dragado, imaginário,
nas costas de um jovem febril
e seu ideário.
É fato que nem tudo o que sinto é o que
vejo nem tudo o que vejo é o que sinto.
Desconfio mais do que vejo.
A visão é mais dogmática, a visão é mais iquestionada.
Agora, nestes breves lamentos sem fundamentos,
questiono-me se não está equilibrada a balança
de imparcialidade e coerência que fica apoiada
na lança que sai da minha mente e alma designando-me
qual será a ilusão adequada.
Questiono-me e vou dormir. (Sem lapidar nada)
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O que a ver tem feito a vida?
O que, seu verme, têm feito os versos?
O verniz externo não é no cerne,
Numa ida ao inferno e o valor é expresso.
Numa ida ao inferno e me torno maior.
Então os versos tortos se apóiam nos calos e bolhas de um chão que
arde em lágrimas humanas. Continuam tortos e bobos, mas já são com toda
certeza um pouco mais velhos. Como se isso fizesse diferença, continuam
correndo por linhas estáticas e abertas.
Faz-me maior pelo menos!
Me faz viajar de Netuno a Vênus
Sem escolha não me dá nem
Ao menos diploma se
Concluo meu curso de Imperador de Roma.
Se com motivos formosos se deleitam os errantes, se com dores agudas
se promovem os vividos, já sem causa, eu, como nunca dantes, já com gozo
feliz e sem muitos perigos. Pergunto-me se quero e sei que não
pedi, não há muito esmero no que me faz rir e ouvir e gostar.
...
Acho que sei a que venho...
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