Fecho os olhos e te vejo
abro-os e nos teus me vejo

Mordo levemente os lábios...
não são meus
são os teus que também não se mordem
face a presença dos meus

Lábios que se tocam e quase que de lugar trocam
Esfolam-se percorrendo o corpo por eles percorridos
Arrancam de meu ouvido o ar e quase que me asfixiando param
para novamente meus lábios procurar levando-me o ar

Mãos cujos dedos entrelaçam-se
são as mesmas que nos seguram, acariciam, apertam...
no desespero do prazer nos empurram
mas ao mesmo tempo
mais que depressa nos puxam

Nem mesmo as pernas repousam
Contorcem-se num sobe e desce
Misturam-se encaixando-se
roçando-se num bale de contorcionismo
onde não sabemos mais qual é de quem

Líbido ou libido,
pouco importa a pronúncia
no momento em que
vive-se a experiência de
se estar “........” colorido

Corpos molhados pelo suor do calor de noite fria
agora mais ainda pelo jato que dizem ser onde tudo finda

Ponho à prova tal dito
e vivencio que se engana
o autor maldito

Se este persistir na veracidade do dito
há meses vivo este fim
que bendito não finda.

 


 
       

 

     


 

 

Marcelo Spolora Leite