| |
|
Minha terra tem paisagens
Que em outro lugar não há;
As aves que aqui trinam
Não trinam como os de lá.
Minha terra faz fronteira
Com a seca e o mar,
São tão imensuráveis suas riquezas
Que outra mais abençoada não há.
Minha terra tem fulgores
Que tais, não encontro eu cá,
E meditar, assim, sozinho
Sei que é melhor voltar.
Minha terra tem mais vida
Afago que não tenho cá;
Minha terra tem folguedos
Xaxado, baião, frevo, boi-bumbá;
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute dos amores
Que não encontrei por cá;
Sem matar a sede no “Velho Chico”
E lavar a dor deste meu pená;
Sem adormecer no colo da morena
Sem o “Padin Cicero” me abençoá.
* * * * *
Canto de regresso à pátria
Oswald de Andrade
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os pássaros daqui
Não cantam como os de lá.
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá.
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.
* * * * *
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu cá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite, -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá..
|
|