Cada batida do meu coração não é igual à outra
E num intervalo entre elas
Eu me apaixonei por você

A intensidade dessa paixão
Quase transformou meus pequenos olhos castanhos
Em grandes olhos azuis como a cor do céu

Nada vai me fazer com que eu te ame menos
Já fizemos as nossas escolhas
E entre gritos e sussurros vamos sobreviver

Obrigado por me amar
Quando já não acreditava no amor
Eu não sabia que tinha sonhos
Até quando descobri que o meu sonho era você

Obrigado por ser parte dos passos
Do meu caminhar
Pelo amor que pensei ter perdido
E finalmente encontrei em ti

Você é uma de minhas asas que ganhei para voar
Você é um dos meus olhos para enxergar
Juntos construiremos sozinhos um novo coração
Que de tudo nos irá salvar

Seu quase rir é quase igual ao seu quase chorar
E foi assim que aprendi a te amar
Você não precisa mais nada perguntar
Para ter certeza
Esse sentimento foi feito para nós
E esse poema eu fiz pra você

 


 
       
     
   
   

 


A grandeza do existir
Cabe no exíguo espaço de ser
E o que me resta
Reside no que me falta

E o que me falta?
Falta um sonho a ser realizado
Mesmo sem ter sido sonhado
Falta a falta de alguma coisa
Ou a certeza de estar completo

Falta perceber a grandeza de ser pequeno
Mesmo querendo ser grande
Falta conquistar um espaço
E abandonar os meus apegos

Falta sorrir no lugar de chorar
Mesmo sabendo que esses podem coexistir
Na mais perfeita paz
Falta encontrar o que foi perdido
Para incluir na lista dos achados

Falta descobrir os segredos da alma humana
E admirar a vida sem ter medo do seu fim
Falta gostar verdadeiramente das pessoas
Sem querê-las para mim

Falta aprender a escutar o silêncio
E a saber calar a voz das palavras
Que não são mais necessárias

Falta querer acertar sempre
Sem cair na tentação de ser perfeito
E como se isso fosse mesmo possível
Jamais viver em busca disso

Falta um reencontro com a minha alma
Uma intimidade maior com a minha natureza
E um fascínio derradeiro da certeza
Que morrer é a única forma de eternidade que existe

Poema inspirado por um outro poema de autoria
do grande Vinicius de Moraes chamado “O haver”.
 


 
       

 

     


 

 

André Luis C. Aquino
Nasci em São Sebastião, SP e atualmente moro em São Paulo. Comecei a escrever quando tinha 13 anos em diários que relatavam o meu dia-a-dia até descobrir um jogo de palavras que tira radiografia do pensamento e do coração chamado poesia. Hoje tento organizar as idéias, os sentimentos e o pensamento em meio ao caos urbano, tento enxergar o que os olhos não vêem, mas o coração sente.