Levando em consideração meu futuro, que, dentre tantas coisas, é algo que eu desconheço por completo a parte que me cabe desconhecer, mas que fará de mim “um alguém" (bom ou mal) e que também, dentre tantas outras coisas que eu não saiba, é de suma importância para mim, estava pensando justamente sobre o que farei dele, dos momentos de vida que ainda estão por vir.

Antes de começar a encher vossos ouvidos com algo que só servirá a mim, mesmo assim muito pouco, gostaria de dar uma ou duas explicações. A primeira é sobre eu desconhecer meu futuro. Claro! Não sou vidente ou qualquer coisa do gênero, pelo menos não ainda e até onde eu saiba. O futuro é algo que, para mim, habita uma dimensão além das quais já conhecemos, algo como uma quinta dimensão, que existe, ou melhor, no caso do Futuro, coexiste com a nossa vida. Você vive um presente, que no minuto seguinte virará futuro e depois passado, você vive em um universo e vive um universo de coisas coexistentes, não necessariamente congruentes e não necessariamente contraditórias. Simplesmente coexistentes. Logicamente isso não coloca em cheque a existência do futuro nem a do destino, apenas acho que o futuro pode ser divido em: algo que podemos dimensionar (planos) e algo que não podemos sequer sonhar (destino), se bem que isso depende, em alguns casos pode-se sonhar, no sentido literal da palavra.

Bom, sem mais explicações nem tão sem sentido assim, gostaria de falar daquilo que eu chamei de “algo que podemos dimensionar”, ou seja, nossos planos. Essa é uma parte do futuro muito gostosa em alguns casos, como no meu, até então, mas muito frustrante em outros, como alguns minutos depois do “até então”. Eis uma prova da coexistência, voltando a falar dela: como a mesma coisa pode ser boa e ruim ao mesmo tempo? Ora! Podendo. É muito simples.

Sem mais delongas, eu acho, vamos direto ao ponto. Eu, quando me encontrava de cócoras no meu jardim, para citar Jerry Seinfeld e para dar um tom de intelectualidade ao meu texto. Pra dizer a verdade, não estava de cócoras, em pleno domingo, e muito menos no meu jardim, estava na minha cama, deliciosa e confortável, lendo. Na verdade eu citei Seinfeld só para poder dizer que não estava no meu jardim, de cócoras, e para fazer vocês darem uma boa risada. Mas como meu senso de humor é péssimo, patético, sem estilo, enfim, incapaz de prover uma cara triste e zangada, por estar lendo essa porcaria, de um belo sorriso.

Então, para continuar, estava deitado em minha cama, por volta das 11 horas da manhã, eu havia acordado algumas horas antes, mas domingo, sabem como é. Estava lá, uma criatura estática fisicamente, mas em borbulhar intelectual. Pensava sobre meu futuro. Já tinha definido antes que, desde quando entrei na faculdade, meu negócio seria entrar para o meio acadêmico. Virar Doutor e dar aulas nas faculdades, tenho boas chances de conseguir, todos temos. Estou, desde aquele domingo, disposto a me dedicar à semiótica. Foi uma paixão à primeira vista. Primeiro ouvi alguém falar: “semiótica é chato”. Bom, foi daí que nasceu meu primeiro impulso, eu adoro coisas alcunhadas de chatas e que tenham nomes esquisitos. Depois disso eu tentei ler semiótica. Meu primeiro livro foi Semiótica básica, do senhor Deely. Li quatro vezes antes de resolver dar um tempo e estou começando a entender alguma coisa agora, depois de ter lido mais duas vezes o mesmo livro e alguns outros, não menos interessantes. Até hoje não sei se eu que cheguei à semiótica, ou se foi ela que veio a mim. Digo me baseando no preceito de que qualquer coisa pode ser um signo e este pode ser qualquer coisa. Bom, estou chegando à conclusão de que semiótica não é tão difícil, é apenas uma questão de hábito. Ela é diferente, ela te torna diferente e é algo que eu tenho tratado com um certo carinho, e respeito, que com certeza, se eu realmente persistir nessa idéia, exigirá de mim muito tempo de dedicação e estudo, pois só sei que nada sei, e que essa citação ficou horrível.

Bom, sem enrolar mais, e agora, de fato, direto ao ponto. Ah! E falando da parte traumática dos meus planos. Quando em minha cama, minha mãe me chamou para almoçar e eu dei de cara com a minha querida irmã, de sete anos de idade e que me fez pensar sobre algo muito sério. Quando eu tiver um, ou mais, filho ou filha, o que direi quando ele me perguntar qual é a minha profissão? Isso seria um problema, porque você nunca diz palavras muito esquisitas para alguma criança, principalmente se for seu filho, eu acho. Ela pode querer procurar saber o que é. Mesmo sem entender. Pode, também, distorcer e resolver te entregar para a polícia. Agora, imagine o que eu poderia causar na cabeça do meu futuro filho quando ele me perguntar: “Pai, o que você faz da vida? Qual sua profissão?” e eu responder: “Filho, o papai é semioticista”. Bom, na melhor das hipóteses ele poderia pensar que seu paizão é algum tipo de super-herói e resolver seguir a carreira, aí, quando a professora dele perguntar para o baixinho o que ele vai ser quando crescer, ele se põe a falar, com toda a convicção: “Quero ser semioticista”(o que pensaria a professora?) “Quero ser que nem meu pai” (o que pensaria a psicóloga da escola?). Acho que me sairia melhor se meu filho me perguntasse “pai, o que é sexo? ou “como perco a virgindade?”. E para não criar em mim um trauma psicológico, resolvi extravasar toda angústia desse medo, que me trouxe para o papel, para alguém que não esteja fazendo nada e possa ler, e quem sabe ficar um pouco irritado, e dividir comigo a mesma a situação, no caso de você ser, ou querer ser um semioticista, ou um profissional de qualquer outra profissão que tenha um nome desses. Esse texto é uma metáfora, pelo menos é o que eu acho e o que ele deveria ser, e como toda metáfora eu não vou explicá-la.

Podem até achar isso um exagero, mas essa cena veio em minha mente como um flash, e a gente não costuma ter muito controle sobre os flashes que invadem a nossa mente desvairada. Escrever e ter certeza de que um dia alguém vai ler esse texto, ou melhor, de que alguém o está lendo agora foi apenas uma forma de aliviar a tensão.

Quem sabe eu não consiga escrever algo realmente interessante, sobre algo interessante que não diga respeito apenas a algo que me interessa. Talvez da próxima vez resolva ficar realmente de cócoras no meu jardim, para ver se minha querida Mnemosyni me traga algo de bom. Ah! E não importa se você sabe quem é Mnemosyni, eu gosto dela e o texto já acabou mesmo.
 


 
       

 

     


 

 

Leonardo Camacho
Nasci em São Paulo, fui criado em São José do Rio Preto e atualmente moro em Montes Claros, Minas Gerais. Tenho um livro de poesias pronto, mas não publicado, chamado Metaformose. Além de músico, "soprista" da banda Consciência Anônima, e estudante de Jornalismo, sou aprendiz de mago e de poeta. Considero que viver é fazer mágica, compactuando com Guimarães Rosa. Temos que levantar da cama cedinho, quando se está com muito sono, ou que fazer muitas coisas que não gostamos e precisamos ser felizes todos os dias. Isso pra mim é fazer mágica, e nessa arte eu estou apenas iniciando e descobrindo que é mais fácil do que parece. Estou sempre tentando ser melhor nas coisas que faço. Não melhor do que outros, mas melhor do que eu mesmo. É fazendo as coisas com muito amor e buscando sempre a felicidade pura, livre que qualquer prisão, que eu vou construindo e vivendo a vida. Me dedico a poesia integralmente. Em meio a correria do dia-a-dia, aos gritos, broncas, saindo de casa antes do sol nascer e só voltando na madrugada, por dentro há uma tranqüilidade que só eu conheço bem, e aqueles que não perdem tempo olhando para aparências acabam vendo essa calma também. Costumo dizer que sou bem parecido com um furacão furtivo. Isso não é uma metáfora, mas entenda como quiser.
Editor de www.poeticainversa.blogger.com.br