Os alunos e os colegas de escola  
   

 

Freud diz que tudo o que somos na vida, vem de nosso berço familiar, nosso canto de origem e história. Raízes e DNAs.
Já Piaget e outros pedagogos de renome colocam isso de modo mais socialmente evolutivo, a partir de um contexto sócio-ambiental todo.

E a escola, normalmente, é o primeiro vínculo de um aluno com seu associacionismo extralar, fora de casa, de seu primeiro ambiente-habitat.

Faz-se a turma.

E aí, tudo pode ser diferente, o teen se revela de per-si, tanto se agrupa como se adeqüa, passa a pensar em equipe, comunitariamente. E corre riscos. Às vezes, imaturo, dá a cara pro tapa, imberbe e incauto. Como diz a canção do Raul Seixas, inocente, puro e besta.

Kant diz do sujeito ético, e coloca o ser-cidadão diante de sua responsabilidade inerente. E o aluno aí vai se agrupar, medir as coisas por outro referencial, sacar mesmo o professor que impõe, produz conhecimento, lidera, agrupa, cerceia circunstancialmente até, visto então ali como um não-pai, um tiofessor possivelmente, só que este o aluno pode contestar, até mesmo por alguma neura adquirida, querer bater de frente, sentir o embate, medir riscos avaliatórios, mediar interesses construtivistas, avaliar ao seu enfoque-prisma se o educador sabe realmente o que diz que sabe, o que se propõe a fazer na sua didática participativa-participante.

Com a instituição-escola o aluno vai interagir, congregar, adaptar-se por que é da natureza humana esse estado social de ser e de humano.

Com os coleguinhas de classe é que o bicho pega.
Cada aluno-ser é um planeta, um mundo, pois cada cabeça é uma sentença, diz o adágio popular.

E o nosso aluno vai com/Viver com esse “diferente” dele, em cor, status social, crendices, estímulos, irrazões, gostos disformes e tudo mais. Vai ter que aprender a lidar com isso. Faz parte de um contexto todo de ser jovem dando os primeiros passos fora de seu habitat de origem e meio. E, normalmente, o adolescente aqui e ali vai agir antes de pensar, ficar inseguro, pensar mal, ter noções erradas, seu juízo de valores ainda é ralo e raso nesse estágio de busca, adaptação, socialização. O homem é um animal político enquanto ser social vendo-se no outro, discordando, gostando, trocando, reagindo.

Se tem um líder barrabrava na tchurma, o jovem vai ver nele uma referência de alguma forma. Está reagindo a um estímulo. Se houver outro muito culto, também. Se um desses enveredar por infrações ou dependências químicas, lá vai o colega de classe sentir se, arranjando a situação, pode ser amigo, pode ser útil, pode ser evitável. Depende do momento. O ser e as circunstâncias. É melhor não ir contra a turma? É melhor ficar na sua? É melhor se tocar, tá ligado?

Jovem é isso. Da hora. Paulatinamente medindo, com sua régua mental, sua bagagem de origem (vide Paulo Freire) o que vai fazer daquilo que vai apreendendo. Uma espécie de letramento de posturas. O fazer-se de si do que a escola-meio fizer dele. Agindo assim, de outro jeito, como um e outro naturalmente retorna essa ação, capta como o educador saca o lance ou dispersa, como as coisas e acontecências rendem ou respondem numa situação orbital toda.

O jovem é sensível, puro, quase uma folha em branco ainda a ser preenchida pela vida, portanto deve ser respeitado como tal, suas habilidades naturais estão viçando, mas ele tem até muito mais sensibilidade para captar, do que o próprio professor ou pais. Isso tem que ser avaliado. O poder dessa energia é fora de série. Quem trabalha no ensino tem que saber como lidar com reações e reclamos. É próprio da natureza pedagógica esse desgaste da relação, só com suporte inclusive estrutural e base psicológica para o professor sentir que é da área mesmo, do ramo, e é exatamente para isso que ele ali está, para gerenciar conflitos, administrar problemas, tirar dúvidas das mais inadequadas ou imagináveis, reger aulas num arrazoado humano bem heterogêneo.

Voltemos ao nosso aluno. Ele ali está sacando o lance. Logo descola uma carona-companhia. Torna-se amigo e tem uma série de predicados para ser amigo e parecer mesmo um. Logo pinta um lance, uma paquera. Empresta uma grana prum esquecido e disperso, copia trabalho de um outro, troca idéia sobre regra de três ou camada de ozônio com um mais dedicado, se encorpa num contexto de sobre/Vivência entre, em tese, iguais na faixa etária.

Pode também se sentir deslocado, a partir de situações-limites que traz consigo. Mas normalmente acha a sua turma. Um e outro tem, vá lá, cinqüenta por cento do ser de si, ou do que se agrada, pois se completa nele. A companhia útil.

Esse outro, independente da razão, como ele, também tem um berço e uma estrada de vivência e postura, de reações a enfrentamentos, inclusive íntimos. O amigo por toda vida pode ser composto e afinado aí. A paquera (que o primeiro amor a gente nunca esquece) está nesse terreno. E o perigo mora ao lado.

Se, por um lado, dois ou três pensam em fundar uma banda de rock pesado, se encaixam nesse propósito, pode rolar aí uma imitação de méritos de um fã-clube, ou posturas daninhas de um ou outro artista famoso que faz suas besteiras posturais e isso vira marca e ganha retoque na mídia. Drogas, só para citar uma, nem entrando no campo do neoconsumismo babaquara.

Degraus. Pisadas na bola. Escolhas. Experimentações. Intimidades e desaforos. Tudo ainda nos conforme. Ser jovem é isso mesmo, adrenalina, alienação, composturas, elos, somas. Tira-se sarro, preocupações dúbias, outros interesses ainda não adultizados.

Começa o avanço para um ou outro lado. Para o externo ou dentro de si, afinal, somos espíritos, temos interioridades até mesmo as não captadas, mas somatizadas, até os recalques e individualidades de ilações tácitas.

Quando o pai está perto, acompanha com amor e referencial-postura, tudo bem. Ajuda. Quando a mãe além do amor dá um puxão de orelha (vá lá, figura de linguagem que seja), o filho está entre o experto e o provocativo, mas sabe quem é quem. O pai é o pai, o professor é uma mão na roda, a mãe é o ombro amigo, o consolo. Quando há uma falha nesse império de relações, na pirâmide formada na cabeça do aluno, nesse flanco que entra a probabilidade do descaminho, do dezelo íntimo, do deslize. É preciso estar atento. Ser pai não é só pôr no mundo, não é o que diz a fala fácil de nosotros? Ser mãe não é só amor e carinho-lastro, tem toda uma sorte de cobrança com explicação, medidas de sanção com noções de aprendizados, manejos e estímulos. Jovem gosta de ver o pátrio poder ser exercitado pra marca de território e hierarquia. É próprio da sua idade. Mas quando o pai finge uma coisa sendo outra, ou faz uma coisa que não quer que o filhote faça sem dar explicações aceitáveis e eticamente plausíveis, a coisa fica feia.

Andemos com esse jovem. Façamos o caminho dele. Escola casa, clube cinema, shoping colega. Uma rede de fatos. Um mosaico de acontecimentos o vão rodeando. Tempos pós-modernos. A rua da amargura. O clube e suas etiquetas. A internet e suas falcatruas. O sexo, o álcool, a maconha. Tudo isso está bem na cara do jovenzinho. Se ele mal disser alô você, e o vão estar servindo numa boa. Estamos num mundo assim, não devemos fechar o olho, confiar em Deus e pronto. Orar e vigiar. O jovem ali, bonachão, bonitão. Esses são os seres a serem provocados, predados. As flores mais bonitas são colhidas primeiro. O pai tem que estar esperto, supervisionar, fazer de conta que não está ali, estando. Fazer de conta que não põe reparo, mas estar mais em cima do que o Vampeta botinudo marcando o Kaká com sua canela de vidro. É isso. E a mãe de olho. Cheiros e sintomas. Intimidades, com todo o respeito, de olho na mochila, sondando a agenda, abrir-se em leque para o dialogo. Homossexualidade, cocaína, pervertidos, prevaricações. Farol ligado. Mãe que é mãe, solicita, please, não manda. Mas pode e, se preciso manda mesmo a acabou-se o que era doce. Jovem não deve ter sempre tudo o que quer. Mas pode ter direitos e conquistas. Ser levado a evoluir para ganhar espaços, bens, viagens e serventias.

Voltemos ao nosso quase rapaz. Corte de cabelo horrível, calça em que cabem três dele, espinhas no rosto, tênis sem cadarço (que falta de imaginação), chulé, Coke, videogame (quando não víciogame), boas e más companhias. O espetáculo da vida. Tudo um grande circo-horror-show, entre o medo, o entretenimento e o grau de receptividade. Cabeça, tronco e membro. Alma, coração, receptáculo. Aproxima-se a competitividade. No amor e na dor. Força e forcas. Somar não é só uma conta. Dividir não é só um verbo. Subtrair pode ser por vários estados de necessidade. Ganhar e perder. Como um livro caixa, sem glosa de afeto. Pai presente. Mãe anjo. O jovem, claro, na sua, estocando, tentando, sacando o flanco, o vão, a válvula de escape. Sempre pinta uma. Nas piores horas, os piores conflitos. Nos momentos de intimidade, a peleja do ser consigo mesmo. Riscos e fugas. A arte é um bom cabide de egos. Fora isso, a sensibilidade é tentada a desafios radicais. Experimentar aquele comprimido que energiza, pode ser um encalhe tácito contra uma postura ao seu ver errada do pai mandão. O pai ter que ser constante. Participar. De olho no filhote, pro guri não ser um laranja, o que de alguma forma, um dia ou outro acabamos sendo, em maior ou menor grau de proporção e fatalidade. Estamos nessa vida também para tomar chuva e apanhar de vara de marmelo dos acidentes, as chamadas coincidentes circunstâncias desfavoráveis.

Ser jovem é uma fria, diz-me um, depois de repetir o palavrão do último cedê ótimo da Rita Lee e seu muso-vítima. Discordo, numa boa. O jovem é inquieto. Pega fácil. Coisas boas e ruins. Faz amizade facilmente, na sua maioria. Embarca em canoas furadas. Às vezes dá com os burros nágua, mesmo tendo sentido diverso, propósito bom, intuito salutar. Também, se amar se aprende amando (Saravá Vinicius de Morais), viver se aprende vivendo, escrever se aprende escrevendo. E ser jovem se aprende mesmo sendo, aqui e ali, aos trancos e barrancos, medida as proporções do que se tem de casa, se traz de casa, se apanha na escola, se acompanha fora dela, se enquadra, se entra de gaiato num navio tipo as aparências enganam. Nada do que foi será, cantou o Lulu Santos.

Como estaria nosso jovem? A primeira balada. Mandou bem? Cabeça cheia de idéias esquisitas. Walk-man. Surf. Ao pensador, as batatas. Será que servir o exército é uma fria? E esses ídolos – como os nossos pais – errando e vendendo imagens e arquétipos? Sociedade precisa de maluco-beleza. Toda imagem entra no refluxo do inconsciente, ídolos de barro, tapumes neurais, propaganda enganosa. Quem é que pediu pra nascer? Quase todo jovem um dia de impropério destila esse veneno vernacular. Faz parte. Trocas. Senta aí, carinha, vamos levar um lero? Que mina é aquela? Ta usando preservativo? Que qué isso, companheiro. Aleluia, perdeu a virgindade. Viajar sozinho? Posar fora? Meu Deus, estamos ficando PAIS, a escola não é só um depósito de rejeitos urbanos, não pedimos demissão de sermos Seres & Humanos, e vai por aí a árvore de groselha preta de técnicas e aprendizados. Pais e filhos. Mano a mano.Tá na fita. Sacou baby. Onde já se viu isso? Será o impossível. Benza-Deus.

Pois é. Não há arranjos sem flores. Você vê flores no seu filho de tromba?. E a sua Sandy passou das quantas. Isso. Árvores crescem. Você está muito frondoso, ta na hora de se dar um tempo, deixar seu júnior crescer a árvore que ele vai ser no seu jardim de DNA paredemeia. Sentiu firmeza? Aleluia Kid Abelha. Seja um pai dez. pareça-se com um. Não é só pôr no mundo e fui. É uma baita responsabilidade. E agora, você vai jantar fora só com o rapagão, viajar só com sua filhona, curtir aquela balada do Skank, ou vai ficar aí fumando feito um homem-chaminé, assistindo tevê feito uma senzala-totem, largar tudo na mão da patroa e deixar o caldo entornar, pra depois dizer que não sabia, não viu, tava em impedimento na hora crucial do jogo de cena?

Eu por mim quero a minha parte em vivências. A vida é uma grande concerto de rock. Você vai ser uma Janis Joplin só pra consumo próprio, depois sumir da geografia da vida? Ou vai ser um paizão, uma mãezona, ou, como disse o Arnaldo Antunes, num neologismo bem sacado, em vez de ser Pai e Mãe, ser um Pae ou Mai? Fique esperto, camarada. O mundo é dos que pensam.

Tiau.

Tenho aula agora. Giz, lousa e saliva. Morro de amor pela docência. Adoro crianças e jovens. Sei lê-los. Cuide bem de seu amor.
 


 
     
  Regras condominiais
Você sabia que depois das dez da noite não pode?
 
   

 

A pessoa batalhadora chega tarde do serviço e-ou da faculdade em casa, e, toc toc toc, desapercebida e cansada, imprudentemente soca o sapatinho de salto alto no assoalho de carpete de madeira fina, que ressoa no piso residencial imediatamente abaixo. Não pode. Depois das dez da noite tem que usar chinelo soft de feltro, mesmo que seja às vezes algo brega. Quer gritar o gol de seu time predileto (vá lá que seja o Palmeiras na segundona), mas, deve gritar pra dentro, socar o travesseiro, xingar em braile. Depois das dez não pode. Imagine então puxar móveis como sofás, bicamas, armários, ligar rádio, derrubar objetos, falar alto, gritar pela janela, atirar cigarro prédio abaixo, ouvir walkman (o barulhinho propaga na sonoridade do prédio), pois os vizinhos do andar de baixo, de cima ou das laterais vão chiar barbaridade, com razão até, plenos de direitos. Se formalizar reclamação por escrito, tome multa alta, no mínimo um valor de condomínio. Na reincidência, o dobro. E se houver reincidência costumeira, despreparo para viver em comunidade, em condomínio civilizado, a polícia é chamada – há uma lei municipal a propósito de barulho após as 22h00 – e o Condomínio via Síndico é acionado para, incontinente multar o locatário e acabar com o problema, ou até há base legal transitada em instância superior para, uma ação indenizatória contra todos os envolvidos diretos e indiretos (parentes menores, empregada) até uma final ação de despejo contra os barulhentos da Família Buscapé depois das dez. Claro que o pai às vezes não sabe o que o Júnior apronta nas quebradas do condomínio enserenado, nem que chega de supetão e quer assobiar um rock pauleira, puxar o som pra perto, armar um circo que, embalado de alguma maneira pode nem sacar que faz barulho fora de hora e fora de propósito. Mas faz. Quando me pagaram para escrever esse artigo para a revista Edifícios e Condomínios, comecei a lembrar as experiências que tive morando em prédio pop, afinal, quem mora num apê tem que sacar que ele não é um conglomerado mal-feito e superfaturado como um Cingapura qualquer, mas um edifício residencial e que, os guerreiros urbanos depois das dez querem descansar na moleza restauradora para um novo dia de trampo, de batente. Se for tomar uma cerva papeando, não faça barulho alto. Cuidado ao abrir a latinha. Muito menos se quiser namorar a patroa-musa-vítima com exagerados afetos explícitos. Cuide-se. Mostre educação básica e cidadania vivencial. Viver em grupo exige harmonia, e, claro, um mínimo de princípio ético-plural-comunitário. Tudo é uma questão de educação, claro. De berço mesmo. Os pais devem sondar os problemas. Conversar com os teens, os que chegam tarde, os que abusam, provocam vizinhos. Já soube de autoridade babaquara aí querendo salvar denúncias assim na carteirada, mas foi só acionar a imprensa e-ou a corregedoria da justiça, e a presunção de impunidade cessou, afinal, qualquer autoridade é uma autoridade assim apenas em seu mister e ofício de contexto técnico-funcional, no recesso social de um condomínio é um cidadão-contribuinte como qualquer outro, com direitos, deveres e, bobeando, claro, sofre sanções legais. Claro que, o primeiro toque é sempre numa boa. Faz parte. Via interfone, vigia, zelador, porteiro, cartinha ou acionando a Síndica que está mesmo para descascar o abacaxi, mas, se não houver jeito, prova testemunhal vale e uma perícia hábil vai provar que o gaiato chega tarde, puxa coisas, tosse, pisa duro, arrasta cacarecos, faz um tropel e, claro, isso não pode em hipótese alguma, muito menos cachorro latindo. Quem gostar de bagunça pra se coçar, folgado que seja ou aéreo, que vá ser um ermitão pós-moderno na selva distante de animais irracionais, entre antas e gambás. Porque na selva de pedra de Sampa todos têm que trabalhar e estudar todo santo dia, porque os caraminguás andam rareando e todo mundo na verdade tem direito ao descanso noturno, ao sagrado sono aliviador, não que uma empregada mal controlada abra portas ou varra a casa tarde da noite, um moleque radical sem controle puxe coisas, uma filha birrenta e sem educação ponha toda uma convivência familiar a perder, acabando por dar prejuízo no bolso do chefe do clã. E quem não tiver saco para agüentar a falta de educação toda, o banzé fora de hora, depois das dez da noite, que disque logo 190 e chame a Polícia!

PS: Uma tipa aí, via e-mail, me reclamou – na defensiva errada – tipo assim, “o incomodado que se mude (...)” Erradíssimo! Não funciona assim. Ninguém pode alegar desconhecimento ou ignorância da lei, isso é preceito constitucional. O errado que se enquadre. Regras existem para serem cumpridas. O incomodador, portanto, que sofra as conseqüências legais, ou, dê no pira...
 


 

 

     


 

 

Silas Corrêa Leite
Poeta, educador, jornalista. Pós-graduado em Literatura, Comunicação, Relações Raciais e Inteligência Emocional. Autor de Trilhas & Iluminuras, poemas, Editora Grafite (RS), 1995. Autor dos e-books (livros virtuais) Ele está no meio de nós e o pioneiro, de vanguarda e único no gênero chamado O Rinoceronte de Clarice – onze ficções fantásticas com três finais cada, um feliz, um de tragédia e um politicamente incorreto, (mais de 60 mil downloads), ambos no site www.hotbook.com.br.
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
Romance Ele está no meio de nós no site
www.hotbook.com.br/int01scl.htm