Dupla face, só há uma retina
Ver assim é mui fácil eu sei bem.
Retórica perdida e tudo vem,
Odeio as palavras míseras do meu dia,
Sou fraco sim pois volvo do vil conto,
Nas colunas azuis acabou sonho,
Sem lembrança passei pela vida.
Foi-se meu sentimento mal, foi tudo...
Num dia que termina a noite ao fundo
Fui decepado e sem dó veio a rotina.

Foram palavras desse dicionário,
Puro abandono sem corte. Fui mestre,
Ora sinto-me sem sorte... Pálido
Fui vate, sou morgado mais que nada.
Inda no coração, mal, desventura,
Ata-se a solidão plena confusa,
Mesmo ora monocromático em tudo
Inda não se dissolve esse meu mundo.

Onde estás tu, meu bardo que ilumina?
Onde estas tu ó vate magnífico?
Nessa sombra escapou de mim da esquina
Ou a medo se foi da mente minha?
Quero retornar às noites tão lindas
Em que absorto nas altas e mais dignas
Matérias me passavam os meus dias.
Flores da inspiração cresçam na fronte.

Porém de nada quase sempre sei.
Se Deus não me socorre acabo, corto
O fio sem piedade e acho-me logo.

Tem o altar nova musa do meu estro,
Em bom momento veio ao coração
Para melhor pressinto a evolução
Então refaz-se o antigo gasto verso.

Me atingiu a paixão de modo certo,
Firmamento azul deu-me o galardão,
Que novo mundo eu ouço? Ah... nova mão
Alço a ti cara dama sem o medo.

Cores belas, macia fronte... mácula
Nenhuma. Mais linda que a mesma vida...
Deusa mágica da volúpia pura.

Por te amar tanto assim avanço a página,
Respiro novos ares minha menina,
Vivo o grã prazer de uma nova musa.

 
 


 
     
   
   

Vejo aqui vermes nessa selva triste,
Atrevidos insones do mal gozam
E o espírito opaco mais logo admite.
São de famintos uma ordem, desposam
O coração ferido, dão mais dor
Ao guerreiro, que errado, perde o amor.

Então desolado vai o guerreiro
Da guerra indiferente, cabisbaixo,
Esperando o final do sofrimento...
No caco de vidro andando descalço,
Assim se torna fundo o rio de merda
E nem mais o fim da dor ele espera.

Pobre diabo a ruína não avista,
De tempo é questão, se o anseio de fama
Poe no coração, se assim nos convida
A trocar, ah dorme na quente cama
O guerreiro a sonhar o cheiro de rosa
E novamente com força a Deus se volta.

Não põe mais medo o canalha fardado
Nem anda por ai mais magoado
O guerreiro... vai por Deus perdoado.
Joga p´ra ganhar, sobe o degrau ajoelhado;
Ora p´la mãe não se sente enjeitado
E brinda no final tão alegrado.

Aquele verme que ao mal se apegou
Então é sofredor, sente a tristeza
É um perdedor nato, vil, jogou,
Vive como um Zé, não sente a riqueza
A luz divina não brilha na mente
E a gloria vem tão rápida pro crente.

Deus nunca esteve na nota de cem...
O dinheiro aqui abre as portas do mal e do bem,
Nem tudo pode aquele que grana tem.
E deixo mais um recado, espero que a todos alcance:
O espírito é imortal sangue do meu sangue.
E tudo é uma fase.
Vida loca.


O esquema tático se aflora, estamos unidos agora.
O amor passa para fora. CASTANHO olho que me olha.
"Castanha noz" diria o poeta clássico. Mas pareço que vou mais à frente.
Sou poeta e não me ligo em corrente.
O dialeto do verso se transforma essora...
Sou tudo em uno, Sou marginal, sangue nos olhos,
Sou vate do parnaso, sei disso...(o primeiro do estilo).
Que ainda sinto seu resquício.
Então reluz na pena o arcadismo...
Também há na veia minha o modernismo.
Barroco, concreto e mais..
Poeta de todas os tempos mas na mente se assenta o dom místico,
Ó homérico spleen, tão gasto antes o farei novo e mais satírico...
Arte respira a sonhar meu amigo e tudo lerá!!!

O que esperar do futuro se o trago comigo.
Em meu caminho o traço e limo como um verso na mente perdido.
Guiar-me por caminhos solitários, ó flor do splenn.
Porém guiar-me até outros me fará feliz?
Não posso saber como será o verso de um amor não nebuloso;
Nunca o fiz nessa febre...
O ódio me deu o verso outrora, o charco crescia.
Como será?
Imagem em ação-imaginação, sonhar e voar, liberdade, pés descalços...

Machista nunca serei pois sei que a terra é dela.


Via sacra és tu ó linda mulher
Enchendo de alegria manto negro,
Que não mais reconheço-me no espelho.
Agrado? vou diverso, não me quer?

Se nas azuis colunas passo o dia
Te esquecer já não posso pois me lembra
O firmamento azul, tua retina.
Não mais avança minha grata senda.

Se na água quente ponho a boca não
Vem meu quasar amado, vêm assombros
Vagando em direção ao coração.

Essas aqui jamais entram ó flor...
Contigo dá alegria os alvos pombos
Vão e eterno será p´ra ti o amor.

 
 


 
     
   
   

A foto no quadro
Do solitário barco
Da ilha solitária
O que me dá p´ra sentir?
Senão o resto que há em mim...
Minha solidão enfim.

Noutro tempo
Poderia eu sentir
diversa cousa.
Poderia eu ver nas palmeiras
Duas almas doudas
De amantes puros.
Mas hoje só vejo em mim
O resto que há
Minha solidão enfim.

Ó dama negra,
Negra dama da solidão
Me dá ao coração
a ventura,
todo um novo chão.
Pois é o berço da criação


Gênio azul que guarda a vela,
Espírito opaco que fERE ela.

cAMINHANDO SOLITÁRIA PELA ESTRADA FRIA
dE PÉS DESCALÇOS E FRONTE ERGUIDA
eSTAVA ESCRITO QUE ASSIM SERIA.
a LIBERDADE, GRANDE MENINA, VINHA.
Onde estÁ O VÔO que O HOMEM busca?
"Na suave face da flor rubra"
bRADA ALTO a voz QUE INSINUA...


o AMOR ENTÃO É DADO E NÃO VENDIDO.


o TEMOR DARÁ LUGAR AO INEVITÁVEL
sEM DUELOS OU MAGIAS TOLAS
tUDO TERÁ SEU LUGAR CERTO
PELA SUAVE FACE DA FLOR RUBRA.
aSCENSÃO TEMIDA E DISCRIMINADA
qUE JÁ VEIO ENGATILHADA
pOIS SEI QUE eRA NAO MAIS SUPORTAVA.
aDIANTOU-SE A GUERRA...
rEVOLUÇÃO NA ESFERA.

 
 


 
     
   
   

Quão estrago faria se com vivos
Estivesse o poeta mais satírico.
Quantos não temeriam só seu dístico
A dar-lhe ouro p´ra calar os dons artísticos.

Abastado seria de mil mimos,
Logo indagado assim diz, acredito:
"FUMO, MULHERES, MÚSICA E BOM VINHO,
Quero meu lupanar longe dos ricos."

Hoje deles o nome assim seria:
Fernando abana-mosca, alma de sapo.
Atarracado Lula o sapo imita.

Mas, ó vate magnífico, que fado
Teve, viveu em má época, errada,
Aqui fama teria não facada.


Morena face bela tão mais pura,
Agrada-me a pureza da donzela,
Alvura toda que busquei vi nela
Trouxe-me paz enfim a grã ventura.

O primo encontro da retina escura
P´ra sentir deu-me tudo, só em vê-la
Treme a febre minha, cara estrela,
Anjo que me retira a sepultura...

Ensina-me do beijo a verdade crua,
Quero por amor ver-te apenas nua
E no aroma seu doce perder o medo.

Não recuse o amor puro que te tenho,
Puro pois nasceu tácito e pueril...
A mim venha, faremos nosso fio.


A perfeição mundana é tudo que faço
Ser assim sátiro é bom,
Faço a questão da cidade em sátira,
          MAS é obvio a fala,
          Pois cidade é mundo.
          E mundo é água
          E continuo na sátira
          E persigo esse verso
          Quero ser o grande Bocage
          Da cidade fala a praga
          E grita e vibra a rima
          E tudo fez na vida.

          Vem outro sátiro
          Acompanhado do cigarro.
          Vê da morte a alma
          O mancebo viril
          Acompanha-lhe a espada
          Aquele que o viu.
          Já o sabia, já previa
          Condenada alma insana.
          Que chora não ri,
          Foi-lhe embora a alma
          Pobre diabo sem cama.

          Condenou-te a dama
          Aquela que em clamor te chama.
          Passou a vida a amá-la
          E sem tela foi-se para fora
          Mato-se de amor,
          E como não rimá-la
          Com dor.
          Errônea frase que passa na mente.

          Se foi feliz enquanto a tinha
          Foi triste seu fim,
          Ensangüentado enfim
          Numa vala de campo aberto.
          Morreu em silêncio,
          Mas não sem dor,
          Pois não há isso.
          Talvez lhe haja paraíso.

          Morreu o condenado, foi seu amor
          Vivendo
          E passou feliz a vida,
          Por isso engana o amor,
          Faz pensar diversa coisa,
          Meu amigo condenado,
Que pura dor.


Amo a garota sim, amor pueril
Amor platônico, amor tão poético.
Amo a garota tão mais feminil
Que desse amor até sou tal patético
Pois o passado vivo em cada gesto

 
 


 

  

     


 

 

Renato Ferreira
Nascido em 1982. Estudante, reside atualmente na cidade de Jaú e crê que a poesia é a maior arte de expressão da alma.