Como que pelos vãos dos dedos
escorrem os grãos da areia
pela lacuna da ampulheta
implacável
revelando o compasso do tempo
que felizmente “tudo cura”

Tal qual extenso calendário
anualmente trazendo
não mais tão intenso
mas ainda em nuanças do vermelho
flashes do passado

Antigas feridas cicatrizam
mas deixam
talvez provocadas pela passagem da areia
imperceptíveis
mas tão presentes ranhuras

 
 


 

  

     


 

 

Marcelo Spolora Leite