Caminhava deslizando como se estivesse nas nuvens
Caía e planava como um pássaro bêbado
Entorpecendo-se com uma alegria viva
Era confundido com um poeta tolo
Desejava um beijo a cada instante
Delirava em momentos clássicos e desapropriados
Beirava o precipício de sua alma pálida
Viajava em seus sonhos como se tivesse asas
Via o mundo rodar como um carrossel desvairado
Entrelaçava suas pernas no meio de tantos loucos
Ria e profanava palavras tortas que pareciam poesia

 
 


 
     
   
   

Minha língua se debate no céu de minha boca muda, quero
falar, mas as palavras não nascem em minhas cordas
vocais paralíticas. Sinto uma dormência em meus lábios
inseguros, mordo-os para sentir a dor jorrar em
lágrimas. Mas nada sinto. Meus dentes pálidos tentam se
mostrar num murmúrio silencioso, mas que ecoa e
reverbera como um estampido dentro de meu corpo.
Procurando a saída no labirinto de minha garganta.
Gestos se mostram no ar perturbando-o, transformando-se
em vento. Será que as palavras estão mortas? Será que
tudo isso foi em vão?
E num súbito momento impar um grito de liberdade
estremece ouvidos inocentes e culpados.

 
 


 
     
   
   

De meu corpo fechado e sólido
Rachaduras se mostram sem medo
E delas nascem flores pálidas

Meu ceticismo quanto ao amor
Aquele que me corroeu a alma
como formigas ruivas famintas
agora se ilumina
e deixa seus feixes de luz escaparem pelos vãos

Todas aquelas mentiras contadas por mim
Para meus sentimentos obscuros
Transformaram-se em verdades puras
E eu percebo meus erros e defeitos
Antes invisíveis ao olho nu

Minha vida que passava diante de meus olhos
Como um filme em preto e branco
Agora recebe pinceladas de multicoloridos sonhos

 
 


 
     
   
   

Desanimados olhos aflitos,

que querem enxergar a podridão escondida,

mas se perdem na escuridão infinita de seus pesadelos.

Quero ouvir os dissonantes sussurros que tremem as paredes

e ecoam nos sete cantos de sua existência, resumida em sete pecados capitais...

Olhos abertos, sentidos apurados nos tentam mostrar absurdos irreais e irrelevantes,

pois tudo passa em vão enquanto você não escolher a alternativa correta.

Minha insípida alma se destaca entre as multicoloridas facetas dessa humanidade insegura...

Que por ventura ou distração

não vê a verdade escondida entre os murmúrios desgastados.

Nada é constante em seus sentidos abstratos,

nada é relevante a menos que você preste atenção...

 
 


 
     
   
   

Se toda a minha paixão se resumisse em fogo
Minha alma seria uma tocha reluzente
E suas chamas te contaminariam
E se espalhariam pelo seu corpo
Ardido em febre

Fumegantes murmúrios,
gemidos,
gritos de um amor incessante e repentino

Fogo meu que ilumina os caminhos de seus desejos
mais fogosos e secretos
E de suas emoções passadas só restariam as cinzas pálidas
Que com um leve soprar se misturariam com o vento
e se perderiam com o tempo...

 
 


 
     
   
   

Os silêncios dos últimos dias,
na esperança de novas vidas
Abraçam o mundo
com suas raízes de emoção
E a eterna mentira em vão
Afogava-se num oceano de verdades

E quando sentisse o palpitar da seiva,
o pulsar da consciência imortal,
as infinitas virtudes tremulas...
Despertariam uma sensação qualquer
de intensa sabedoria,
com lindos gestos de amor eterno.

 
 


 

  

     


 

 

Luiz Felipe Peres
Sou um estudante de 19 anos que se alimenta de letras soltas, de palavras vivas, frases perfeitas, versos diversos, pensamentos passageiros, histórias sem fim, sonhos imperfeitos, de alegria, de tristeza, de verdades, de mentiras, de tudo e de nada.
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