Nada é para sempre,
e é sempre.
Nada é de ti,
e é sempre.

Nada vive como vive a água,
e é sempre.
O que é deidade
é fenecido como o pó,
substância de todos os amores.

Dói bastante a transformação;
como é dor
um prazer que é passado.
Conciliar o sol com a noite
é trabalho para os amantes
(que se conheceram ontem).
Conciliar o trabalho com a vida
é tarefa para amantes
(que se conheceram ontem).

Mas quando se joga tudo
com a sorte,
na calada da vida
ela dá um recado:
um dia ela será esquina,
ele será um carro.

Porto Alegre, outubro 1990

 
 


 
     
   

Noite calma.

As estrelas subsumidas no espaço,

as luzes...

Um gato observa a rua;

detrás das portas,

dormem sonhos
 

Núcleo Bandeirante – DF
12/10/1997

 
 


 

 

     






 

 

Gustavo Lisboa
(Natal - RN, fevereiro de 1961). Morou no Rio, em Manaus, Brasília, Santa Maria e Porto Alegre. Reside em Belo Horizonte MG desde 2001. Licenciado em Letras – Inglês. Pós-Graduado em Comunicação e Cinema. Professor universitário. Escreve há 25 anos. Rigorosamente inédito. Tem dois livros prontos: AZUL – poemas dispersos e DE AMOR E MORTE – sonetos soltos. Prepara um terceiro livro.