Faz de conta que me ama,
mostra que sente minha falta,
farei de conta que é por mim que tua alma clama,
que em teus sonhos é meu corpo quem te assalta.

Faz de conta que ainda lembra, saudoso,
da fonte em que nosso amor brotou.
Farei de conta que meu rio caudaloso
em teu jorro nunca em gozo soçobrou.

Faz de conta que se importa,
dá-me abraço de vida que aninha.
Farei de conta que o tempo não corta;
que de saudade nenhum amor definha.

Faz de conta que fui apenas rito,
diga que não sobrou mais nada.
Farei de conta que acredito,
mesmo sabendo-me assim amada!

 
 


 
     
 

 
   

      No silêncio, desejos sacio,
    grito da saudade aportada:
  teu corpo, minha memória,
onde fêmea estive ancorada.

    Na espera, sonhos remo,
        mergulho da sede saciada:
         meu corpo,e nele,teu nado,
          caminho da náufraga beijada.

               Na saudade, vontades afogo,
                 lembrança do desejo ritmado:
                  maré alta,encoberto fôlego,
                  ondas do gozo sincronizado.

                 A nado, o tempo atravesso,
               faço-me rio que, sinuoso,
           circunda, afaga e, pelo avesso,
       eclode em você, ilhado ...

                      Mar de gemidos, almas consoantes
                               arrebentação das ondas,delírio,
                                   êxtase da unicidade, amantes,
                                       perdidos de desejo,mergulhos

                         E na lembrança teu silêncio desfaço
                              persigo nas águas o reflexo da lua.
                                Remo, ancoro, sacio , beijo,
                             e em sonho digo:Vem! Sou tua!

 
 


 
     
   
   

Uma lágrima – é a saudade...

Um sorriso – é a lembrança...

Um olhar – é o sonho...

Um aceno – é o adeus.


Um sonho – é a vida...

Uma lembrança – é a tristeza...

Uma saudade – é a esperança...

Um adeus – seja feliz!

 
 


 
     
 

 
   

Soluços, não os quero escutar!
Quero sim, a tristeza que em lágrimas escorre,
diluindo do passado o que só agora posso apagar
levando-me à felicidade, como da vida, um porre!

Novamente gritaria, ainda que rouca,
"Não há excesso, jamais, no amor!
Podem me internar, chamem-me louca,
Por vezes, a loucura é um ótimo refúgio para a dor!

Sairei às ruas, clamarei
"Acordem, vocês todos, o tempo passa!"
É minha sina:por ter amado, jamais me arrependerei,
ainda que a fria lucidez venha à minha caça.

Sei-me assim, solta e vagando,
olham-me com receio, serei perigosa?
Em sonhos e luares mergulhando,
não vêem que apenas de amor estou desejosa?

Aos que enxergam solto meu riso,
a esses, escapa a dor que construiu minha paz.
Em pensamento digo aos que me julgam sem juízo,
eu o dispenso, o amor em si me satisfaz!

Não sabem, e não importa ,
a duras penas,quantos degraus galguei...
Se abri da loucura, a comporta,
por breves momentos, lá me refugiei!

Se me pensam louca,é que desconhecem,
quanta força e apego à vida são necessários,sim,
para dar uma pausa, até que as dores cessem,
e refugiar-me , ainda que "fora de mim!"

 
 


 
     
   
   

Minto,
corpo desmente.
Menta,
sabor que tenta.
Manto,
corpo que imanto.
Mastro
do amor sem rastro.
Mostro
marcas,
imagens parcas.
Maço,
na fumaça te enlaço.
Meço,
peço.
Mostro...
Mas -
quero mais!

 
 


 

 

     






 

 

Ester K.
Formada em Administração de Empresas. Vive na Lua, embora insista em pousar em São Paulo. Sua maior paixão? A vida. Como se define? Reservada, tímida e, contraditoriamente, falante.