Uma figura distante.
É uma moça escondida
na fotografia desfocada.
O olho logo interroga
o que a imagem
não mostra.
Um possível rosto branco
que lembra
a brisa do amanhecer
quando é primavera.
A menina sonhando a mulher
desfaça o desejo
assediada pelo medo.

 
 


 
     
   
   

No pequeno cômodo
através da vidraça
a paisagem entra
fragmentada
no pincel de Magritte.
Do outro lado
das paredes
a realidade vai até onde
a imaginação alcança.
O tempo
o olhar inventa.

 
 


 
     
   
   

O que diz o visível
na sua obscuridade
segredos que calam
lábios tagarelas.
Sem ruídos,
as alucinações de Bosch
ou a fúria colorida
de Van Gogh
exalta o ritmo
dramático do olhar.

 
 


 

 

     


 

 

Almandrade
(Antônio Luiz M. Andrade)

Artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano, poeta e professor de teoria da arte das oficinas de arte do Museu de Arte Moderna da Bahia. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974. Realizou cerca de vinte exposições individuais em Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo entre 1975 e 1997; escreveu em vários jornais e revistas especializados sobre arte, arquitetura e urbanismo. Publicou os livros de poesias e/ou trabalhos visuais. Tem trabalhos em vários acervos particulares e públicos, como: Museu de Arte Moderna da Bahia e Pinacoteca Municipal de São Paulo. Retrospectiva Museu de Arte Moderna da Bahia, 2000. Exposição “pensamentos” no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, 2002.

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