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Chegaram
todos
pontualmente
às duas da
tarde.
Convocação ultra-secreta e urgentíssima.
Assim
que
tomaram
seus
lugares
à
grande
mesa,
o
presidente
entrou. Estava
com
o
semblante
tão
fechado
quanto
aquele
visto
nos
piores
dias
da apuração
eleitoral.
– Boa
tarde.
Quero
comunicar
a
todos
vocês
que
tomei uma
decisão
que
pode
abalar
a
opinião
mundial,
mas
que
precisa
ser
feita.
Tão
importante
é o
passo
que
vamos
dar,
que
guardei
segredo
até
dos
meus
auxiliares
mais
diretos,
como
o
ministro
da
Defesa,
o
diretor
da
CIA
e
até
da
senhora
Angel
Face
dos
Assuntos
Estratégicos...
–
Condolência,
senhor,
Condolência
Face
– disse baixinho
para
si
a ruborizada
senhora.
Parecia
que
ninguém
ousava a
respirar,
tal
o
suspense
pairando no
ambiente.
O
presidente
ainda
mantinha a
pausa
de
efeito;
calado
momentaneamente, olhava
devagar
para
cada
um
dos
presentes.
Seu
branco
lenço
foi usado
para
enxugar
a
testa
sudorenta,
apesar
da
temperatura
amena.
Alguns
dos
convidados
pensavam
que
não
iriam
suportar
tal
expectativa,
e suavam
mais
do
que
o
chefe.
O
general
Bowell
discretamente
acariciava a
caixinha
de
comprimidos
para
as
coronárias.
O
que
será desta
vez?
O
que
me
espera?
Invadir
Cuba
e
matar
Castro? Uma
bomba
atômica na Coréia do
Norte,
preventivamente?
–
Senhores
– continuou o
presidente
– devo comunicar-lhes
que
diante
da
insuportável
arrogância,
petulância
e
desrespeito
para
com
os EUA, decidi
que
devemos
invadir
o Iraque;
não
vamos
declarar
guerra
a
esses
porcos,
mas
simplesmente
invadi-los e
matar
seus
líderes.
A
reação
do
pessoal
foi
pior
do
que
se imaginava. O
disparate
parecia
tão
grande
que
a
platéia
não
sabia
como
reagir.
Era
uma
piada?
Deveriam
rir?
Todos
se entreolhavam,
até
que
o
major
Billy Shortmind arriscou.
–
Mas
senhor,
nós
já
fizemos
isso.
–
Isso
o
quê?
–
Já
invadimos o Iraque e
até
o Afeganistão.
– Os
dois?
Quando
foi
isso?
–
Recentemente,
senhor.
– E
com
ordem
de
quem?
– Do
senhor,
naturalmente.
– E
como
o
senhor,
secretário,
me
explica
esses
vídeos
do Bin Laden e Sadam Hussein,
vivos?
– disse o
presidente,
encarando o
pálido
funcionário.
– Acontece
que
eles
não
foram
mortos
– respondeu o
esperto
Shortmind.
–
Quer
dizer
que
gastamos
cento
e quarenta
bilhões...
–
Cento
e sessenta,
senhor
–
Cento
e sessenta
bilhões
de dólares
pra
nada?!
E o
contribuinte,
como
fica,
sem
a
aplicação
adequada e
honesta
do
seu
dinheiro?
– Permita-me
recordar,
senhor,
que
no
início
foi-lhe sugerido uma
operação
mais
simples
– disse a
senhora
Condolência
Face,
secretária
para
Assuntos
Estratégicos.
–
Qual?
–
Simplesmente
mandar
um
pistoleiro
dar
um
tiro
no Sadam
durante
uma
aparição
pública.
E
por
apenas
vinte
mil
dólares.
–
Operação
de vinte
mil
dólares
só
de
hérnia
ou
vasectomia
– interferiu o
general
PDQ Bath. – E
assim
mesmo
a
minha
voltou...
Esses
médicos
oficiais...
–
General,
por
favor..
A essa
altura
todos
tinham
certeza
de
que
o
homem
falava
sério
e
não
contava
piada.
Restava
saber
se estava
bem
da
cabeça.
– Sendo
assim
quero uma
verba
extra
para
mandar
mais
soldados
e
armas
ao
Extremo
Oriente.
–
Oriente
Médio,
senhor
– inteveio Bowell.
–
Não
interessa
onde
ele
está,
nós
vamos
atrás.
De
quanto
vocês
acham
que
iremos
precisar?
– No
mínimo
quarenta
bilhões.
–
Pois
vamos
pedir
oitenta,
que
é
para
os
senhores
não
me
darem nenhuma
desculpa
de
não
terem
acabado
com
aquele
filho-da-mãe.
–
Senhor
– pediu a
palavra
Condolência
– a
imprensa
mundial continua cobrando as
armas
químicas
e atômicas. Temos de mostrar-lhes alguma
coisa
e
que
justifique
mais
soldados.
– Olhe,
senhora
Angel
Face...
–
Condolência, senhor
–
Por
que
este
meu
incompetente
gabinete
não
mostra
suas
alvas
bundas
para
a
imprensa
e tvs do
planeta?
Eu
não
tenho
que
estar
o
dia
todo
prestando
satisfações
dos
meus
atos
para
o
mundo.
Ninguém
pode
interferir
na
nossa
liberdade
de
agir,
ir
e
vir
para
onde
quisermos.
Isto
é mein kampf – gritou o
presidente
enquanto
sapateava
sobre
o ursinho de
pelúcia.
–
Perdão,
presidente,
o
senhor
disse mein kampf?
–
Sim,
como
dizia De Gaulle,
por
quê?
– Está
bem,
está
bem,
senhor
presidente
– sussurrou Bowell. –
Nós
vamos
dar
um
jeito.
Acalme-se.
Senhora
Condolência,
traga
as
jujubas
de
uísque.
–
Mas
quem
gostava de
jujubas
era
o
outro
– observou
Condolência.
– Estas
são
de
álcool.
Sugestão
do
psiquiatra
para
emergência.
Após
mastigar
várias
gomas
alcoólicas,
sua
excelência
mostrou-se
mais
tranqüilo.
– E
que
jeito
você
vai
dar,
senhor
Bobwell?
– Levaremos
para
lá
alguns
contêineres
de
bombas
químicas,
frascos
de
bactérias,
um
pouco
de
plutônio
purificado e uns
dois
ou
três
mísseis atômicos
que
não
funcionem. Plantamos
tudo
em
diversos
lugares
para
o
pessoal
da ONU
descobrir.
–
Gênio,
Bobwell,
você
é
um
gênio.
E
assim
que
as
armas
forem
descobertas,
atacamos de
novo.
–
Obrigado,
senhor.
Bowell,
senhor,
Bowell.
–
Mas,
senhor,
já
não
chega
de
bater
nesse
povo?
– aparteou Shortmind.
–
Não
quero
sua
opinião,
Shortmind.
Você
e PDQ Bath têm
coisa
mais
importante
a
cumprir,
não
é
mesmo?
Vamos
ver
se trabalharam
como
bons
americanos.
Me
digam,
agora,
os
dois:
como
está a
pressão
sobre
aqueles
babacas do
Instituto
da Carolina?
– Karolinska,
senhor.
–
Que
seja,
esses
suíços...
– Suecos,
senhor
–
Ora,
vá
para
o
diabo.
Vou
ou
não
vou
ganhar
o
prêmio
Nobel da
Paz?
O
que
é
que
vocês
fizeram
para
isso?
–
Senhor,
não
está
fácil.
E o Tony Blair
também
está trabalhando
para
isso.
O
pessoal
lá
não
gosta
de
ser
pressionado.
–
Minhas
jujubas,
quero
mais
jujubas.
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