|
|
|
Teço a teia dos dias
cumprindo o mágico rito,
tecedeira sem ter escolhido,
sempre calando
este grito.
Uno fios, tramas, te decifro,
conto noites, dias
e meço uma outra
linha, trilha
que te ensinei
no labirinto da ilha,
e não era esta
de Ítaca.
Teço a teia, a rota,
e em cada porto
te faço, te laço,
te prendo e do silêncio
aprendo a falta
de tua estada
em mim.
Teço a teia, reteço,
refaço os nós
cortados em desatino.
Vou cerzindo sonhos
rasgados a cada manhã,
e me aqueço
e quase te esqueço.
Teço a teia, tramo,
despedaço ícones,
e em segredo me deixo
no rumo de outra ilha,
outro sonho,
que é ainda
meu sonho,
teu sonho.
E de mim me tens
não mais Penélope
nem Ariadne,
mas, te enovelando
na sapiência das teias,
e no aprendizado dos fios,
o teu desejo de Circe.
|
|
|