Bicho esquisito, esse tal de "homem", "macho", "ele", enfim... Esquisito mesmo!

Pois olhe, vou contar uma coisa: há uma semana não olho prá espécie dessa raça que mora aqui em casa. Ele, em vez de "estourar", como sempre faz quando temos as nossas diferenças, está manso como um cordeiro, mas não me toca!

Bicho esquisito, esse tal de "homem", "macho", "ele", enfim... Esquisito mesmo!

Pois olhe, vou contar uma coisa: há uma semana não olho prá espécie dessa raça que mora aqui em casa. Ele, em vez de "estourar", como sempre faz quando temos as nossas diferenças, está manso como um cordeiro, mas não me toca!

Estamos separados, morando juntos – cômoda situação, prá quem nem esquenta a cabeça com "contas", "supermercado", cozinhar, lavar, passar, pagar a diarista e outras coisinhas mais.
Incômoda situação prá quem está se sentindo traída, aviltada, em sua plena e total lealdade.

O pior de tudo é que só de saber que esse bicho esquisito ainda está por aqui, me dá uma coceira, uma "comichão" de pecado. Sabe aquela tentação que te diz assim: "Ah, boba, o que é que tem de errado? É só "físico", isso não vai te transformar em "traidora dos seus princípios", mesmo porque isso é um ato absolutamente sem princípio algum”, e eu gosto mesmo é do meio e do fim! Começar é fácil – uma olhadinha, senta perto, passadinha de mão, luz baixa, musiquinha especial, e... rola! E rola mesmo!

Aqui em casa já rolou até sem nadica disso. De repente um convidava o outro:

– Vamos?

E lá íamos nós! De manhã, à tarde, interrompendo o almoço, o café da tarde, lanchinho, jantar ou ceia – simplesmente não tinha hora – nem limites, devo acrescentar!

– Já "deu" hoje?

Todo dia a pergunta. E, independente da resposta, esse era um sinal – e lá íamos nós novamente.

Tá horrorizado? Onde já se viu uma mulher falar disso assim, tão abertamente?!

Viu? Que bicho esquisito é o homem? Querem uma libertina na cama – mas quando a gente fala "naquilo", se espantam!

Mulher também sente tesão – e como! Ainda mais nessa fase dos "calores e calafrios" – não que antes disso eu tenha sido muito diferente.

Mas – não sei se por causa disso ou daquilo, parece que com a idade a gente fica mais franca, mais aberta, mais "mulher" – não que eu esteja numa idade em que deva me aquietar e me segurar, mesmo porque acho que não existe idade prá gente ficar mais ou menos quente – questão de "oportunidade". Estou, digamos assim, "no ponto".

Que ponto?

Ponto de bala, claro, afinal, faz uma semana que não exercito os hormônios e líquidos – que já me fervem aqui por dentro!

Que bicho será – esse que me deu?!

E ele nem se toca, nem percebe – esse tal de "bicho esquisito"!


 

 
   

Thaty Marcondes
30/11/54 – Jundiaí/SP. Me chamo Thais – nome presenteado por meu pai, que não era France ou Massenet, mas por admiração a estes assim me registrou em cartório. Mais conhecida como Thaty – apelido de infância. Autodidata, aprendiz da escrita e da vida, meio nômade, meio cigana, resido atualmente no interior do Paraná. A escrita é sina, impulso, pulso. Me agarro às linhas e vou desenhando letras, abrindo a alma, rasgando sentimentos. Nas frases que monto, remonto meus eus, meus dias, minha vida.