Usava muitas coisas na cabeça: - Água, sabonete, idéias, pente, dedos, desejos, conflito, maldade, bondade, sedução. Mas um chapéu? Nunca! Quem pensaria numa coisa destas numa época de jeans e camiseta, quem? O avô usou um clássico, bonito. Será que vem do avô a sedução? Só sei que usava um clássico, não sei se era dado a paixões, feito o sem chapéu, não sei se era de esperar por um amor. Não sei, não sei, nem sei do que não tem chapéu. Andaria formoso pelas ruas antigas? Meu pai usava chapéu, sempre usou, marrom. Contam que era charmoso. Não o chapéu, meu pai. Se eu não o conheci? Claro que sim, mas, sempre me pareceu velho, trancado num mundo de homens e eu sempre com os pés nas nuvens. Bem, não importa, a verdade é que estava falando de um homem que não usa chapéu e me perdi. Por quê? Sei lá, mas voltemos. Um homem que são palavras delicadas, por vezes, acolhedora, como um lugar quente de se ficar. Um homem que talvez goste de entender como as relações humanas acontecem e adotou um personagem, um homem que talvez goste de imaginar civilizações. Foi moleque? Brincou de pique? Beijou e abraçou a mãe? Não sei. Às vezes penso que chat é como o ponto de encontro da rodoviária, um lugar quase fictício. Imagino também que quando desligo minha máquina, as luzes dos chat's se apagam e os nicks ficam no canto esperando alguém retornar.
Um homem, mas, sem chapéu. |
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Sou Maria, de Maria Izabel, novata no ofício da escrita. Moro em SP e trabalho com alfabetização de adultos, e acho que é só. |
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