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..."amor não é literatura, se não se escreve na pele"... Juan Manuel Serrat
Conheci Juliana no centro cultural. Uma cultura bem diferente da minha. Tão diferente que no momento de me apresentar me chamou de "argentino". Sou argentino?, me perguntei depois. Não será como falou Jorge Luis Borges, "somos um pouco judeus, pretos, chineses, brancos"?. Depois de vários minutos de olhar quadros, e mais quadros, segui com a vista a figura dela. Uma figura desentendida, engraçada. Bonita!, falei para ela.
São teus olhos que me vêem bonita!, respondeu para
mim. São teus olhos que me vêem bonita!, respondeu. Tomou meu pescoço, colocou sua bochecha perto de mim, e a beijei. Segundos depois a vi correr atravessando a rua, entrando num prédio cor branco, muito iluminado por certo. Eu teria beijado seus lábios, se ela aceitasse. Fiquei na esquina uns segundos. O suficiente para sentir aquele mágico momento que teve começo no centro cultural. Esqueci os quadros, os amigos que tinham chegado junto, e ao lembrar de tudo isso voltei, debaixo da chuva, olhando o chão, minhas andadas, com o sabor de sua pele nos meus lábios. Hoje amanheci com a sua figura, aquela figura engraçada que descobri na noite anterior. Agora eu sei. Ela dança. Dança a diversidade cultural. Nem tudo
é amor quando se beija. 9 de junho de 1999. 14:17
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Marcelo
Urizar |