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Seguramente pode-se dizer que Oliverio Girondo é dono de uma poesia essencial no primeiro intento modernista argentino, em torno da revista Martín Fierro e de seus mais ilustres protagonistas. Lançando seu primeiro livro Veinte poemas para ser leídos en el tranvía, coincidentemente em 1922, pode ser comparado, ainda que só a título de uma classificação despretensiosa, ao nosso inventor máximo do mesmo período, Oswald de Andrade.

Considerado como o principal poeta do período, e um dos maiores nomes da poesia argentina, Girondo chegou aos limites do verso e surpreendendo até mesmo seu colegas quando em 1937, no lançamento de um de seus mais importantes livros, Espantapájaros - Al alcance de todos, alugou uma carroça e em cima dela instalou um mórbido espantalho e com ela desfilou pela Buenos Aires afora. A propaganda funcionou, ele conseguiu vender os 5 mil exemplares do livro em pouco mais de um mês. Com seus versos altamente representativos e despojados, Espantapájaros visita das mais mórbidas reações humanas às mais inusitadas e embaraçosas situações do cotidiano num absurdo quase sempre pictórico.

Vindo de uma família abastada, Girondo teve a oportunidade de fazer várias viagens, muitas delas a lugares exóticos como Oriente e Egito. Mesmo escrevendo sobre várias cidades, não deixava de lado a imagem fraterna de Buenos Aires que, ao contrário de como Borges a via, saudosista e com certa melancolia. Girondo, ao contrário a via como uma cosmópolis onírica e angustiada, a capital do mundo, o seu.

Lua irreverência só pode se comparar com os dadaístas do Cabaret Voltaire. No entanto sempre numa originalidade absurda como haveria de ser com a maioria dos artistas de sua geração. Fato provado que gerou um certo mal-estar entre eles e os Ultraístas espanhóis. Por causa de um infeliz comentário de Guilhermo de Torre onde alegava que a originalidade dos martínferristas se devia a períodos que líderes do movimento estiveram na Espanha. Daí sim a necessidade de se expressar mais agressivamente através de um manifesto público.

Ainda que pouco conhecido no Brasil, a poesia de Girondo é de extrema importância para a literatura latino-americana. Lembrado por aqui mais como o criador do Manifesto Martín Fierro do que pela sua poesia inventiva e renovadora. Intelectuais brasileiros tiveram, ainda que paupérrimo, contato com Girondo. Num desses encontros casuais, um dos momentos mais relevantes, foi sem dúvida o encontro do poeta e sua esposa Norah com Oswald de Andrade quando estiveram em São Paulo, já nos meados dos anos trinta. Ou mesmo Mário de Andrade expressou seu afeto pelo grupo argentino em alguns de seus ensaios. Entretanto o inverso não acontecia, os martínferristas conheciam, admiravam e divulgavam as obras de nossos modernistas. Com sua imagética e pictórica obra desafiou a palavra chegando num limite onde suas idéias não mais lhe cabiam em palavras, passou a pintar em telas o inexpressível no papel, pinturas que ele jamais quis expor publicamente, talvez porque elas serviam-lhe de plano de fundo, uma espécie de ensaio para a escrita ou, o que não lhe cabia no papel.

 


 

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Ednei S.
Nascido Ednei de Souza Leal em 28 de Março de 1979, em Curitiba, local onde ainda reside. Fez faculdade de Economia no entanto não chegou a se formar. Há cinco anos trabalha com assessoria de imprensa e internet. Teve alguns de seus artigos publicados em jornais do Paraná e alguns de seus contos na revista alternativa `Entropya´ em 98 e 99, atualmente prepara seu primeiro livro de contos e escreve um romance.