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Com a redemocratização e a lufada de ar puro que varreu todos os cantos do país, começamos a ensaiar a caminhada rumo a um tempo onde o Brasil pleitearia uma posição entre as nações civilizadas. Foi uma luta dura, sofrida, que custou vidas, suor e sangue. Uma das etapas dessa jornada necessariamente passaria pela entrega do comando real e efetivo das Forças Armadas a um paisano democraticamente eleito pelo voto direto do populacho. Mergulhadas naqueles tempos, que se eternizariam nos anais com o aterrador apelido de "anos de chumbo", as pessoas imaginavam que se passariam séculos até que essa sonhada civilização se instaurasse no solo de Pindorama. Mas a História às vezes é mais generosa que o eventual pessimismo imposto pelas circunstâncias. Nada do que se fala e escreve sobre a herança da era FHC - e como se fala, como se escreve! -, se compara à criação do Ministério da Defesa. Sem alardes, arengas nem traumas. Tudo que se registrou e vier a se registrar sobre os oito malfadados anos do Império Tucano haverá de ficar a léguas de distâncias, tanto em simbologia quanto em termos reais, do fato de que se criou um órgão comandando por um civil, subordinado ao qual estarão os comandantes de cada uma das nossas três forças armadas. Subordinação efetiva, real, hierarquicamente delimitada, acrescida de continência e posição de sentido. Acredito que, tanto quanto eu, a grande maioria da população (aí incluídas as pessoas bem informadas), não sabe os nomes do general, do brigadeiro e do almirante que comandam atualmente o Exército, a Aeronáutica e a Marinha. As listas de promoções às "quatro estrelas" voltaram a ser um fato de interesse privativo da caserna e que dependem unicamente da canetada do civil que ocupa a Presidência. No momento, um ex-metalúrgico barbudo com ficha negra nos serviços militares de inteligência (?) da finada ditadura.Como é auspicioso e tranqüilizador esse fato! Enfim, demos um gigantesco passo rumo à civilidade e à modernidade. E é imperioso que as pessoas se conscientizem dessa benção que é o fato de termos as Forças Armadas inteiramente dedicadas aos seus afazeres profissionais. Bem longe de conspirações palacianas, futricas politiqueiras e sem a mais remota intenção de querer determinar o que é bom e o que é certo para o país, à revelia do seu povo. Valeu a pena sobreviver aos "anos de chumbo" só para ver a materialização desse sonho. Não vai ter graça dizer para os meus netos. Mas vale a pena gritar para aqueles que pereceram no meio do caminho, que morreram lutando para que se chegasse à situação atual:
"Meninos,
eu vi!!!" |
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Luiz Berto
é escritor |