Cantiga por Gabriela


* para a filha do Ricardo e Márcia


Seja bem-vinda, Gabriela
Pode entrar...
Chegue-se a nós
Aceite nosso carinho
Entre, a casa é tua
Ilumine com tua luz
os cantos, as sombras
Traga teu sorriso de anjo
Alegre nossos dias
Do teu riso, precisamos
Espalhe cores em nossa vida
Cante, Gabriela
Seja música em nossa festa
Faça brilhar o teu olhar de fada
Seja magia em nosso pobre circo

Venha sem pressa
Chegue com graça
Plante flores em nossa estrada
Enfeite o nosso caminho
Seja feliz conosco
Seja bem-vinda, Gabriela


Com amor, Tia Zanza

  Fim de amor...
(ou amor, no fim)


Um grande amor
Não pode se calar assim
Nem pode se manter assim
Inerte
Imóvel
Apático
Estirado em um canto qualquer
Esperando por um raio de sol
Um grande amor
Não sabe se manter assim
Não sabe se fechar assim
Distante
Ausente
Fechado em copas
Longínquo
Isolado em torres
Silente
Em cinzas...
Um grande amor
Não pode ser indiferente assim
Nem pode ser descolorido assim
Nem viver de pedacinhos assim
De migalhinhas assim
À mercê dos ventos
Dependente das marés
Da lua
Da força dos elementos
Um amor assim
Não é grande
Porque não mais permite
Não mais insiste
Não desiste
Mas também não pode
Multiplicar
Nem dividir
Porque nada mais
Há que se repartir

     
Santiago do Chile

Ao fundo
Paisagem estática
Cordilheiras
Imponentes, altivas
No cume das cordilheiras
Neves eternas, sólidas
Permanentes
Brancura ímpar
Contra o céu azul de Santiago
Acima das montanhas
Céu de brigadeiro
Azul turquesa
Seus olhos de mar
(ou será de céu ?)
Brilha o sol
Fulgurante em seu cintilar
Do Serro San Cristobal
Miramos la ciudad abajo
Nosotros enamorados
Colores y sonidos
Besame mucho...

  Recebo-te

Dizes que te entregas
Te aceito
Falas em calafrios
Te aqueço
Do teu torpor involuntário
Te acalmo
De tuas cãibras de corpo inteiro
Te alivio
Em convulsões da carne
Uno-me a ti
Em descompassada
(Arritimia )
Batem teu coração e o meu
Fora do prumo
Fora do eixo
Teu pensamento e o meu
Em meus braços
Em eterno abandono
Te acolho

És amo e senhor
Homem meu
Dono de mim
Te amo
Te quero
Te guardo assim
Assim...

 

   
Bombons chineses
(participação especial do Guilherme)


Doçuras
Modelei em meu coração
Encantos
Esculpi em sua eterna fraqueza
Lágrimas
Verti
Sem querer derramá-las
Medo
Senti
Sem que meu sorriso
Pudesse ocultar
Temores
Que meus afetos
Não souberam suavizar
Perdas
Que transformei em cores
Para que tu pudesses
Pintar
Em versos
Para que pudesses cantar
Em estrelas
Para que pudesses sonhar...
Em beijos
Para que pudesses me amar

   

 

Rosângela Maluf

Consultora de empresas e professora universitária. Vive entre as montanhas de Minas onde faz planos de um dia só ser...