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Adoração
à Santa Masô
Fazei
de mim instrumento de vossa perdição.
Entre quatro paredes, entre silentes e langues sussurros.
Como um leve tocar, sentimentos põem-se à mostra
Deixa apenas impressionar, a fim de não causar-lhe dor ou padecer.
Sente o que nos traz à soga,
Ignora-o como remédio de tua agonia
Sabes o que se passa,
mas deixa queimar esperando que desoprima o que não podes evitar.
Entre estes ventos, passam meus medos e mais tenros sentimentos
Ignore-os outra vez, cavaleiro imprestável,
e se torne insípido entre mais uma de minhas dores.
Deseja a mim,
mas custa não comparar-me a teus próprios defeitos
e usar-me como objeto a saciar a si mesmo.
Pedirei apenas para me confinar depois em tua culpa,
Vendo que esta não existe, também não existirei
Me enfia então em tua inconsciência, cadavérica, absurda.
Faça-me crer em ti,
e definhar fazendo-me esquecer do que fazes a mim.
Julga-me e condena-me a morte mais lastimosa,
A fim de esquecer teus sussurros, tuas lascivas palavras
E teus pensamentos iníquos.
Mata-me antes que eu cometa adultério aos meus princípios
E faça de mim mesma instrumento de meu suicídio.
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Penetração
Racional
Eu apenas
não quero só essa razão
Quero tê-las, todas em minhas veias
Que elas entrem e perfurem toda essa castidade cerebelar
Que não haja circunspecção ou pudor
Que leve toda e qualquer memória pueril
Esta, que me lasciva a carne de hoje
E que dentro de meu poder sádico
Não passa de mero e lânguido fetiche
Que me tragam desavergonhadas expressões
Novas faces com impermeável loucura
Meu sepulcro serão minhas policromadas razões
Nada além, nada após do que a sensibilidade possa descortinar
Jamais fale que ele não chega ao término
Você solta perversas risadas e em nada após solta lágrimas
suicidas
Está tudo aqui, entre minha poucas e miúdas razões
Elas de tudo são sábias
e me trazem agora desvirginadas moças, prostitutas
E esgotam sua seiva entre minhas cópulas encefálicas
Alívio, não só apenas pelo prelibar,
Mas por vê-las fazer minha consciência multiforme
E minha loucura, face.
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Lacerante
Enola
Violada.
Como um ser repugnante que se retrata numa virgem.
Falsa ela, por não sentir sua realidade.
Prometida a vossos olhos numa falsa moral.
Absurda, onde se elevam montanhas de dor e sofrimento.
Salva-se apenas por sua submissão, nefasta e mesquinha
Como todos que dela se originam
Rodeada de um frio dilacerante
e realidade relativa a sua inconsciência
Sabedoria morta,
como uma simples facada no seu corpo viçoso e doce,
Sangrando como seu temeroso ódio
que nasce como flores nos seus olhos
Suicida, a partir de sua medíocre mente,
induzida a se deixar levar por essa hemorragia de pensamentos
Sendo apenas o não existir em seu mundo,
trazida a uma zona de temor e doença.
Dança de sua própria morte,
A espera de uma certeza irreal e vaga
Sem luz, sem calor, a solidão a espreita de uma porta
Infinita, por não saber ao certo o que se espera
Dolorosa, por trazer choro
a criança indefesa e morta dentro de seu interior
Julgamento sem lógica ou pudor,
Sem moral, vivendo nessa teia de destinos.
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Pérfida
promessa
Minha ânsia
se deleita por esta promessa.
Rendo minhas verdades, a casta verdade.
Aquela que se depara com meu princípio imaterial
Aquela que não cavalga pelas veias
Mas Tarde vêm e descama este sepulcro
A perda do mal, que agora se vê achado
Enleado como numa teia,
Onde se encontram os destinos.
Só eu sei meu caríssimo
Quantas vezes estive nela metida
Somente eu posso desmembrá-la
Vi o que jamais venha a ter acontecido
Estive onde jamais alguém poderia ter ido
Sei que já não me basto
Há de se esperar pelo novo alvorecer
Para tê-las , todas descortinadas.
O que me trazes, Dionísio?
Boas novas e castas verdades?
Não tão mais castas, eu vejo
Mas temo logrado em seu intento
Pois tal jóia já me foi imposta por essa vida
Não só entre tormentos
Mas entre más e desvirtuosas ruínas
Que dos velhos tempos me trouxeste.
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