BAIXO-CALÃO

Meus versos não têm a forma
De um soneto parnasiano,
Nem os sons, nem mesmo as cores,
Do discurso simbolista.
Dos poetas do Barroco
Não herdei veia cultista
E os deuses do Classicismo,
Deixei todos lá no Olimpo.

Minha poesia não tem o lirismo
Piegas do Romantismo,
E, ao narrar o cotidiano,
Confesso não ser realista.
Vou compondo palavras tortas
Em linhas mal distribuídas,
Com algumas rimas pobres,
Mas que eu mesmo as dei vida.

Na ausência de palavras
Crio novas, troco as velhas,
Com uma licença concedida
Pra mudar a ortografia.
Pois, se ainda assim, faltar-me
Uma que traduza o pensamento,
Uso a força interjeitiva
De um bem entoado MERDA!

Rio, 16-07-2002

 

Fábio dos Santos Cezar

Carioca nascido e criado nos subúrbios do Rio de Janeiro, é professor de Língua Portuguesa na mesma cidade onde sempre viveu. Músico e compositor, tendo participado de diversos grupos, atualmente, leciona violão clássico.
Embora tenha dedicado grande parte de sua juventude à música, a literatura fora uma constante desde a infância.
Fábio prepara seu primeiro trabalho, mesclando prosa e versos, com o qual pretende estrear na literatura em breve.


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