mandrágoras pisadas

as leituras de kerouac não bastaram:
ânsia de sair & uma fúria ciosa direcionada a nada


- ignição provocada -


idas & voltas dos dedos,
o motor: zéfiro em tufão.

- pisca-pisca para esquerda -


viagem vaga ao satori:
ânsia de metamorfose cumprida,

- quem viu -

o jeito blindado com que se transformou
em partículas de luz, venerando vulneravelmente

as síncopes desistentes da madrugada.

 
   
 

espaço

alarga o passo e marca:
1.
- metro a metro contornando o caminho, solto em uma área aberta. pensando em cada um centímetro.

com os braços estendidos:
2.
- gestos crucifixos em pulsos-pontos dispostos a manchar o ar de axilas semi-esferas cinzas-pontudas.

ensaia o passo, quase certeza:
1.
- comensurando a área pelos cantosbordas inventadas em semblantes barbados: sapatea do gratuito no centro,

los gestos flamencos:
3.
- em alternância de flancos, despencar da escada imagin ária, tropeço na calçada

do suor plastificando pele farpada:
5.
- batom borrado e vestido guindado, cabelos inquietos, em filamentos de pele rosada.

risível coreografia:
4.
- a passagem como espaço:
em tempo, o pulo.

 

dentes cortinas:
vinho barato y becos entre

discursos escorregadios

que percorrem dispersões
próteses y persianas,

língua-persa,
encardida de nicotina:

solilóquios da fumaça ao ar:
objetos de gás carbônico

fusão plástica ao metal
diluído ]


obturação
como uma fala hodierna:


becos convertidos em avenidas, vinho em sangue
y o tapete vermelho como insulto.

 

Eduardo Jorge

Nasceu em fortaleza, 1978, formado em comunicação social, desenvolve atualmente trabalhos com videopoesia (o Meu e o Seu, Labirintos, Buracos & Buracos), também publicou um poemário chamado ex-ame (2000).


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