E se minha escuna singrar,
Vaporosa espuma, ritos e detritos,
Traçando inúteis rascunhos? 
                                       Que proa? Mais
Palavras? Ou indecifráveis
Subterrâneos veios, devaneios de sons
Colhidos no cálamo, dest/arte falhando,
Infinitésimo aparte do diálogo 
Das coisas e das causas – do mundo que fana
Aos poucos, nos olhos?

Não há onda inocente, pureza
No vento que enfuna a veladura, no sal
Que encobre os arganéis, as tábuas,
O livro de bordo. 
                   Despontam
Imagens moídas, ardores, febres
Sem sonhos que lento
Reponho no baú das camisas
Rasgadas, um copo metálico
De vinho azedo, uma água
De cantimplora roída derramando
Sobre mãos nuas, umas letras
Quadradas. Cantilenas na calmaria
Do crepúsculo.
                     Depois
De escondidas estrelas, duas velas
Intactas. Acende, agora, tuas luzes.


05/08/02

 

 
 

 

 

I

67: e o tempo
Persegue o corpo torto
Não há luz na tua pele, na tua voz
Insonora – 
Segura o galho seco
O broto dúbio, este falso
Conúbio

II

E se esta viagem
– cobra angustiosa na espreita, absurda
voragem faminta –
só fosse o começo
de um canto difícil
– o sangue parando na luz, no silêncio...


III

Não hoje o choro:
Tremo – e/terno sem dor
O véu espero


IV

Desta beira onde fermento
Percorro e anoto
O que me resta no olho
As águas que me esvaziam

E disto gozo – 
Disto que me enreda, muda
E me transpassa

 
 

 
 

Sergio Wax
www.ocaixote.com.br/livraria