Tua mão a cena compõe
Em cantos teu sorriso toca
Teus olhos dão na vista

Meus desejos 
teus lábios despertam
Teu beijos enfeitam
meu rosto
Meu corpo
teus dentes demarcam

Em minha pele
a tua boca expressa
À minha alma
tua língua fala
Ao meu coração
teus braços enlaçam
Teus movimentos
em momentos
eu vi...
 
 

 
   

Céus escurecem
nuvens se aproximam
se chocam
disparam raios
mundo vai desabar

Ventos espancam minhas portas
balançam árvores
estremecem galhos
folhas morrem pelo chão

Pássaros voam e cantam 
desesperadamente
fogem
se escondem
medo da tempestade

Quero te proteger
te procuro
estás longe
não te encontro

Vem a chuva
bate à minha janela
fina
mansa
umedece minhas flores

Por entre nuvens
surge o sol
brilha
enfeita meu jardim

Era vento
vento forte
ventania
a nosso favor!
 
 

 
   

Entreguei-me como quem tem calafrios
torpor gostoso e involuntário
cãibra de corpo inteiro
arritmia, coração fora do eixo
espasmo, dormência d´alma
convulsão da carne

Entregar-me a ti foi assim:
tudo o que eu queria saber provocar
quando o corpo quer mais 
é se deixar
ser consumido
no mais eterno abandono...
 
 

 
   

Essa mulher tem um amor menina
quer brincar comigo
passar anel, beijo-abraço, aperto de mão
quer entrar na dança
dizer uma cantiga de roda e ir-se embora

Essa menina me faz homem
quando ponho meus cobiçoso olhos
no seu tacho de goiaba quente
e como, com queijo mineiro, até me lambuzar

Patino, pedalo, cavalgo cavalo de pau
sorrio pra banda, vou atrás
faço piruetas no ar
me faz seu palhaço de circo

Apago seu fogo 
no meu carrinho vermelho de bombeiro
quero ser caminhoneiro
daqueles com luz lilás
e uma mulher na boléia

Essa menina sabe brincar comigo
me faz crescer diante dos seus olhos
brincar de médico, papai e mamãe
me faz jogar no time dela

Essa menina sabe me cantar
narra cantiga nos meus ouvidos
e eu puxo os seus cabelos
quero os seus gemidos

Sapeca, essa menina
com carinha de quem nada faz de errado
se deita do meu lado
faz guerra de travesseiro

Eu perco a pose com ela
sou o que ela quiser
quando antes, durante, e depois do amor
me aninho em seus braços
 
 

 
   

Recordações de um dia de amor
em pontos diversos da vista
Prazer de estar contigo
enamorado pelo sol dos teus olhares

O sabor do porto dos teus lábios
embriaga marinheiro de chão firme
Os dentes fortes da tua boca
ancoram meus beijos famintos

A expressão das tuas mãos
escreve seda em tarde musical
O cetim das tuas pernas
desliza fantasias minhas

Em gargalhadas teu sorriso
fascina meu homem dormido
Teus cabelos selvagens
domam meus irrequietos dedos

O som das tuas tardes embala
em sonhos loucuras mortas
A paz do teu altar permite
memórias de futuro em vida

Nos teus abraços desafios
de felicidade latente
Nas tuas palavras encontros
de descaminhos percorridos

Das pedras por onde andas
faço plumas de devaneios
Dos trajetos de teus pensamentos
faço mapa de minhas viagens

Ser incerto de acertadas curas
certa mente de homeopáticas doses
dosas comportamento
comportas mulher amável!
 
 

 
   

Em tuas mãos
a doçura de criança
a ternura de menina
a delicadeza de fêmea
a elegância de mulher
a pele de seda

Em tuas mãos
a leveza que toca
a suavidade da harmonia
a melodia dos gestos
a música da alma

Em tuas mãos
a firmeza que escreve
a vida em poema
a poesia do coração

Em tuas mãos
a palavra de carinho
a expressão do amor

Em tuas mãos
estou!
 
 

 
   

É preciso ouvir o corpo da amada
em fantasia e concerto
auscultar coração
É preciso escutar
seus pedidos e anseios
cobiça e paixão 

É preciso recender o corpo da amada
perfume de santa
menina e mulher
É preciso sentir
seu cheiro de fêmea
desejo e pecado
É preciso respirar
ter ávido faro
falo de amor 

É preciso ver o corpo da amada
tirar a cegueira
matar a ilusão 
É preciso olhar 
nela ver a cidade
em sonho e imagem 
É preciso enxergar 
desnudar pensamentos
perceber o tesão

É preciso tocar o corpo da amada
em música e ritmo
cantar e dançar
É preciso tatear
saber cuidar
apalpar suas mãos

É preciso saborear o corpo da amada
saber seu gosto
prazer e deleite
É preciso saber 
provar o sabor
tragar e sorver
É preciso gostar
dele ter posse
usufruir e gozar
É preciso perceber
o uso e o gozo
saciar de satisfação
 
 

 
   

A vontade na tua boca
manifesto nos teus olhos
declaração nas tuas coxas
pedido no teu corpo
são ecos nos meus lábios
palavras nas minhas mãos
expressões nas minhas veias
resposta nos meus instintos
loucuras dos seres que em nós desatam
desejos selvagens de deitar calma
em corpos fechados em copas
brotando nascentes de rios
molhando nus de amor!
 
 

 
   

Na tua terra mato
desejos de plantar,
semear nos teus sulcos
águas da minha raiz

As folhas nascidas,
crescidas,
no orvalho da tua rosa
germinam nas chuvas do meu caule

Dos teus campos
vermelhos de sangue
manchados de batom
brotam bocas-de-leão

Os lírios das tuas mãos
enfeitam paz dos teus braços
me debruçam 
nas hortênsias do teu colo

No teu jardim
regado na brisa dos teus suspiros
colho as cores das flores
frutos do prazer!
 
 

 
   

Leva em conta 
o meu amor
ao fazer o balanço 
da sua vida

Esse amor 
bem aplicado
rende 
E você se rende?

Quero saldar dívidas 
com a felicidade
fazer resgates no futuro
aplicar nas mais ternas ações
para garantir-lhe junto a mim

Juras? 
Juro o meu amor
em resgates diários e crescentes
pois é o que conta

Conta pra mim
o que fazer 
pra você 
me amar também?
 
 

 
 
 

Luiz Carlos Schroeder
Brasileiro nascido em Toledo (PR) há 45 anos. Foi advogado de trabalhadores e, depois, Juiz do Trabalho no Paraná. Desistiu do Direito e está aposentado. Atualmente, refugiado em Maringá, na região de Visconde de Mauá (RJ) – entre rios, montanhas e cachoeiras –, escreve e navega...