Todo homem é, a um só instante, 
O seu próprio mármore e escultor. 
É a tinta e as mãos do pintor, 
As proezas da lâmina e o fio cortante. 
O calvário da Comédia de Dante 
Ou o paraíso que está nas alturas; 
O sorriso e os gritos de agruras 
Que, em latência, habitam nossa voz. 
Somos, a um só tempo, todos nós 
Criadores e fiéis criaturas. 


II 

Somos, a um só tempo, a irrigação 
E os carunchos da nossa semente. 
Somos o futuro no presente, 
Nosso próprio arquiteto e inspiração; 
Os ventos e a embarcação, 
O cometa e as noites escuras; 
A sagrada magia das canduras 
Ou o braço execrável do algoz. 
Somos, a um só tempo, todos nós 
Criadores e fiéis criaturas. 


III 

Somos, nas geladas madrugadas, 
Nosso próprio frio e o cobertor. 
E nas pálidas tardes de calor, 
O abrigo e o mormaço das estradas. 
Somos as idéias projetadas 
E o concreto das nossas estruturas; 
A firmeza dos gestos de bravuras 
Ou as asas de Ícaro, aos sóis... 
Somos, a um só tempo, todos nós 
Criadores e fiéis criaturas. 


IV 

E aquele que só ventos semear, 
Colherá só tormentas, com certeza. 
Quem quiser de herança a tristeza, 
Não aprenda o ofício de sonhar. 
Pois é a nossa maneira de entalhar 
Que define nossas próprias esculturas. 
E, assim, viveremos nas alvuras 
Ou na luz rosicler dos arrebóis. 
Somos, a um só tempo, todos nós 
Criadores e fiéis criaturas. 
 
 

       

 

       

Já é madrugada. Estou pela rua... 
Na trilha dourada dos olhos da lua. 
No meu desvario, na minha tristeza, 
Ainda aprecio a grã Natureza. 

E assim, pervagando tal qual vaga-lume, 
Aos entes sagrados faço meus queixumes. 
Ao longe, o clarão dos astros em prumo... 
E o meu coração errante, sem rumo. 

A brisa vadia soprando com jeito... 
E uma agonia tomando meu peito. 
Estrelas cadentes brincando no céu... 
E eu, decadente, andando ao léu. 

Cometas pulsando pertinho de Deus... 
E eu carregando a cruz de um adeus! 
 
 

 

 

       

Jamais abandone essa esperança 
Que alimenta seu espírito e que seduz; 
Mantenha sempre viva a confiança 
E a fé na vitória com Jesus! 

Se cada um carrega a sua cruz, 
Depois da tormenta vem a bonança; 
Por detrás da nuvem negra brota a luz 
Pra aquele que persevera e não se cansa. 

Por isso, nunca pense em fraquejar! 
E se abismos, acaso, vislumbrar, 
Não tema, confie na libertação! 

Pois todos que esperam no Senhor 
Renovarão suas forças, ante a dor, 
E, com asas, como águias subirão... 

 
 
 

 

Rubenio Marcelo
44 anos, Escritor/Poeta, compositor e bacharel em Direito Natural de Fortaleza, mas residente atualmente em Campo Grande/MS. Já editou e publicou quatro livros e lançou dois CDs lítero-musicais; além de várias participações em Antologias Literárias Nacionais; e gravações de suas composições musicais por outros artistas. Suas premiações mais recentes foram o Festival Nacional Andorinha de Poesia; o Prêmio DIRECTV "A Liberdade em Suas Mãos"; e o I Concurso Paulista de Literatura de Cordel.
http://www.acletrasms.com.br/