Estou descendo as escadas
para o meu interior.
No degrau, alegremente
vejo mais nitidamente 
o espaço acolhedor.

Deito no chão suavemente
há frio e calor no ar.
Fecho os olhos levemente
dentro de mim é luar.
Devagar eu me levanto,
percebo logo a presença
dos seus pés 
e a firmeza
dos seus olhos refletindo
minha paz, quase certeza.

O olhar convida a sair
descalços pisar na areia,
o sol, o vento sentir,
perceber a praia cheia
da caricia que arrepia
pisando na água fria.

Passeio breve e a volta
tem amena despedida.
A escada logo subida
é longa respiração 
o hoje sempre meu dia
o agora a vez da poesia...


 

 
   
 

Já vinha andando no tempo
sem perceber onde estava.

Era uma estrada comum
onde parei de repente
vendo abrir-se à minha frente
outro rumo para o longe!

É um caminho de vida
parece-me familiar,
e faz-me ficar pequena
tão grande e claro ele é...

Se alarga e vai seguindo
sem se acabar no horizonte...

Paro, olho, me procuro,
e vejo o que tenho sido
parecendo estar escuro
o trecho já percorrido. 

Agora sinto a distância
do que andei e é passado
a dimensão do presente
com o futuro guardado...

Guardada está a esperança
do meu tempo de criança
sentir que o amor é possível
e que na noite há um dia
se abrindo para o infinito...!

  
 

 
   
 

Sair e andar, subir
no infinitivo viver!
Deixar o medo ficar,
ousar, cair, levantar,
e a vida transformar
no verbo aventurar.
Coisas assim, procurar:
o belo, o novo, o incriado,
o saber viver, sonhar
no azul sem mar mergulhar,
pegar vento e velejar,
subir montanha, galgar
saltar-me no espaço infindo,
balançar pegando nuvens
e voar, voar, voar!
Ir além do horizonte
e equilibrar-me na linha
do Equador pendular!
Sentir a forma bendita
de pegar brisa com a mão, 
e em asas do imaginar
o chão suave tocar!
Procurar bem, indagar,
desejar e encontrar
alguém que esteja a esperar.
E descobrir no momento
de conjugar o infinito,
como e lindo e pessoal
o infinitivo de amar! 

 
 

 
   
 

Fala no campo 
a voz do vento em caricia...
Fala na rua
dos que passam a melodia.
Fala na mata
a brisa beijando o verde.
Fala no rio 
carinho de água nas pedras.
Fala na tarde
Um violino ou cigarra...
Fala no mar
a concha ao sabor das ondas.
Fala no ar
canto das aves louvando.
Fala o jardim
pelo perfume das flores,
E fala a vida 
de pequeninos amores !

 
 

 
   
 

Quisera ser como a brisa
chegar do norte distante,
amenizar os teus passos
soprando a areia escaldante.

Vagar no imenso do espaço
levando a escala dos sons
na procura de um abraço
e sentir no instante breve
linda música que envolve
a distância e o vazio.

Ali tudo é ilusão?
ou é doce sensação
que à fantasia conduz?

A brisa é momento puro
Que traz em segredo terno
de cor, de luz, pensamento,
sua grande descoberta
de só o amor ser eterno!

 
 

 
 

Magda Helena Gomes
É pedagoga em Minas. Escreve muito por dever de ofício, e suas obrigações com o magistério a põem em contato com textos de alunos em concursos de poesia, dos quais participa como julgadora. Somente agora, por sugestão de pessoa amiga, resolveu enviar a O Caixote alguns poemas que escreveu, o que fez mais como exercício de sensibilidade poética. É também pianista.