Nunca estive em Paris, mas conheço boulevares de outros séculos
Da Confissão de Lúcio
Ou da confissão de outro poeta. 
Conheço as velhinhas de saias imundas
As jogatinas 
E a mendiga ruiva. 

Conheço-a dos retratos amarelos, das páginas marcadas ou sujas de pó 
De um estado de spleen entorpecido a haxixe. 
Vadias são cortesãs
E os gênios as imortalizaram em pincéis.
– Pergunto: Por onde andará Olímpia?

Nunca estive em Paris,
Sequer desaprendi o tupi, 
Mas tenho medo de teus fantasmas: 
Dos enforcados ou degolados, 
Dos teus amantes exagerados! 
Tenho medo de teus espectros famintos: 
Dos suicidas melindrados
De teus pedintes
E teus leprosos. 

Conheço teus cafés e as camas das prostitutas
As ruas estreitas e mal faladas
A corja burguesa que se embriaga.

Conheço tuas memórias de bordéis,
As pernas da dama crioula e sifilítica, 
formosas, entrelaçadas no ar.
Conheço-a da loucura torpe de teus poetas brilhantes.
Conheço teus pecados, e só. 
Triângulos amorosos e Remorsos... 
Nunca tantos como os reunidos em mim.

Mas de fato 
nunca estive em Paris. 
 

 
 
 

Leticia Maria de Oliveira
Nasci na cidade de Palmital (Oeste Paulista) no dia 06/11/1978, por volta das três horas da manhã de uma segunda-feira chuvosa. Após dezessete exaustivos anos, mudei-me para São Carlos onde me formei em física no ano de 1999, pela Universidade Federal. Concluído o curso, iniciei minha pós-graduação nessa mesma instituição.