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Nunca estive em Paris, mas conheço boulevares de outros séculos
Da Confissão de Lúcio
Ou da confissão de outro poeta.
Conheço as velhinhas de saias imundas
As jogatinas
E a mendiga ruiva.
Conheço-a dos retratos amarelos, das páginas marcadas ou sujas de pó
De um estado de spleen entorpecido a haxixe.
Vadias são cortesãs
E os gênios as imortalizaram em pincéis.
– Pergunto: Por onde andará Olímpia?
Nunca estive em Paris,
Sequer desaprendi o tupi,
Mas tenho medo de teus fantasmas:
Dos enforcados ou degolados,
Dos teus amantes exagerados!
Tenho medo de teus espectros famintos:
Dos suicidas melindrados
De teus pedintes
E teus leprosos.
Conheço teus cafés e as camas das prostitutas
As ruas estreitas e mal faladas
A corja burguesa que se embriaga.
Conheço tuas memórias de bordéis,
As pernas da dama crioula e sifilítica,
formosas, entrelaçadas no ar.
Conheço-a da loucura torpe de teus poetas brilhantes.
Conheço teus pecados, e só.
Triângulos amorosos e Remorsos...
Nunca tantos como os reunidos em mim.
Mas de fato
nunca estive em Paris.
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