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Tinha ele 41 anos de idade
dos quais mais da metade
vivera em um hospício de Amsterdã.
Endoideceram-lhe as obras de Picasso.
Não conseguiu deitar-se àquela arte.
A obra genial tornou-o medíocre.
A família optou pelo manicômio,
lá ele poderia olhar os quadros em sua mente
e chorar pelo Desespero...
Seu olhar eram os quadros de Picasso,
tinha espasmos de realidade com um museu,
a sepultura de ouro das obras mortas.
Rasgar um Picasso talvez o libertasse.
Decidira fugir e cumprir tal tarefa.
Iria matar a "Mulher nua em frente ao jardim".
Sim! A "Mulher nua em frente ao jardim"!
Dirigiu-se ao museu sem sentir direção.
Sabia-se o caminho desde há muito.
Comprou com o dinheiro da vida
um ingresso do museu.
Pôs o pé adentro com sobriedade.
Foi direto à "Mulher nua..."
e num gesto simples e delicado,
com a mão de um pintor,
rasgou a Mulher de Picasso
com seu pincel de adaga.
Deu as costas e caminhou satisfeito,
foi direto a um jornal:
o ingresso, a adaga e o fato nas mãos.
Deu um sorriso sarcástico ao homem das letras e,
em seguida, enfiou-se a chorar pelo Desespero...
Aprisionado pela loucura de olhar Picasso
e se aprisionar pela loucura de Picasso
aprisionado em Picasso pela loucura
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