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INFÂNCIA
Rua Direita perdida
para os que ainda estão lá!
Ali ficou esquecida
a infância do beabá,
velha casa do cajueiro
que me viu nascer, nem sei...
Rua do Cisco, viveiro
de mariposas que amei,
da grande porteira preta
rangendo ao sol da manhã,
do sumo branco da teta
e a vaca cor de romã!
Onde estão, moças cheirosas
indo e vindo nas calçadas?
Nas janelas, misteriosas,
lindas mulheres casadas
com seus maridos valentes
matando, também morrendo
para deixar as sementes
de gente e fados nascendo?
Uma cidade vazia
com suas casas à espreita
para saber quem morria
na escura Rua Direita!
As portas estão fechadas
e o silêncio nas janelas
esconde coisas tão belas
de vidas despedaçadas...
Morre criança afogada
lá no Rio Jacaré,
o meu caminho do nada
por onde seguia a pé...
Jasmineiro, que saudade,
o aroma da infância existe
na tarde, em minha cidade
me chama o sino, e é triste!
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