Viver não é preciso
Está aquém e além
Do siso da linha reta.
Está no gozo desmedido
Da gratuidade do riso.

Viver é desrealizar
No alumbramento do sonho
A urdidura do caminhar
Na escuta dos segredos
Do coração fremente.

Viver é e não é
É ser tão sim
E tão bem não
No sertão de cada ser
Na curva de cada estação.

Viver é afinar
Tons de ordem e desordem
Entre o prumo e o pião
Amanhecer redivivo
Na vertigem da aurora.

Viver é sorver o doce-amargo
Da proeza de cada momento
Decantar o sopro vesgo
Da pesura e leveza do vento
Inventar no cio então
O som e o silêncio.

 
  
 


 
 

 

Miguel Almir 
É professor da UEFS e da UNEB. Tem diversos artigos publicados nas áreas de Filosofia, Arte, Cultura, Educação, Espiritualidade, desenvolvendo nas mesmas atividades teórico-vivenciais numa perspectiva transdisciplinar. Tem também alguns livros publicados. O último livro de poesia é o Desvãos (2000).

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