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Poema para meu pai
Hoje serei uma filha obediente e pintarei
um arco-íris em meu poema. A ponte
mítica que liga os homens aos deuses, o
sinal da eterna aliança.
Queimarei incensos e me untarei com óleos
aromáticos.
Pousarei de flor em flor à procura do néctar
mais doce e disseminarei o polem
fecundador que em mim se entranhou.
Hoje não pensarei em coisas tristes e não
me lembrarei do que hoje não posso dizer.
Serei apenas a filha terna e obediente que
meu pai espera que eu seja e abrirei todas
as janelas, portas e poros para que a luz e o
ar entrem.
Arrastarei móveis para a faxina da
primavera e baterei o pó dos tapetes.
E com água e com cândida lavarei todas as
sujeiras e, ao fim, talvez exausta, tomarei
um banho com bálsamos almiscarados e
depois irei me deitar em lençóis de linho e
dormirei e terei sonhos bons
(E sonharei contigo e não cairei da cama e
não quebrarei o pinico!)
21/10/99
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