Ela se esparrama na mesa do refeitório, mastiga os talos de alface com dentes de touro, suas risadas ecoam nas vidraças. Quando apanha o copo de suco, há uma tempestade, e o engole de um trago. "Calma, Sininha", dizem as colegas. Os homens (mesmo Bate-Estaca, o segurança de 160 quilos) a olham com respeito. Peitos?

Maciças bolas enormes, como as que se ganham em barracas de tiro-ao-alvo nas festas de arraial. As pernas são fortes colunas marmóreas. Eu a vejo com admiração: "Oi, Sininha", no elevador. "Diz, filhote" ela responde, olhando minha cabeça do alto. O elevador passa lotado: "É a Sininha que vai". As amigas perguntam, fingindo naturalidade: "Qual o teu peso, Sininha?" E ela, numa risadona, a voz espessa: "Depende da balança! Ahahahaooohohoh..."

Na empresa é encarregada do setor de malotes. Fizeram para ela móveis reforçados com travessas de aço. Ela pega os pacotes imensos e os empilha, como se fossem caixas de sapatos.

Pois por arte de Deus ou do Cão, Sininha se engraçou de mim. Olhares, sorrisos, conversinhas íntimas. Num meio-feriado, levou-me ao seu apartamento: o que o pai lhe deixou, agradável e arejado, só dá para estranhar as portas aumentadas, as poltronas robustas. Deixou-me tomar banho primeiro. Depois ela foi pro banheiro, enquanto eu voltava enrolado na toalha. Esperei-a deitado na cama. Ela chegou, cheirosa, penteada, risonha, pôs um joelho no colchão que se arqueou e deitou junto de mim. Não digo que não sabia por onde começar, pois já havia matutado sobre isso. Virei de lado e comecei a murmurar coisas carinhosas, dando beijocas no pescoço. Acho que a Sininha se excitou, pois me apanhou com um braço e me pôs sobre ela. "Se doer me avisa, hein, filhote?"

Não respondi, achei que seria humilhação demais.

Quando escorreguei sobre seu ventre, ela me puxava de volta. Mas sosseguem, não vou cansar ninguém com pormenores. Nem acho correto revelar particularidades. Não contarei como manobrei seus mamilos, como nossas bocas se integraram maravilhosamente, como ela é doce e sensual. Nem como penetrei em sua intimidade delicada e sensível. Foi uma das melhores namoradas que já tive.

 

 
  

  
  
 

 

Fernando Borba 
 
Arquiteto e historiador, nasceu e vive no Recife. Tem publicado livros, artigos e ensaios sobre matéria técnica. Como literatura de ficção, tem contos publicados em revistas literárias e em antologias, no Recife e na paulista 'As Crônicas dos Anjos de Prata' , assim como em sites literários. Está preparando um livro (ficção/romance) inspirado em grupos de papos e discussões que enfocam literatura, na net.

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