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Ainda que as respostas sejam óbvias para mim, compreendo perfeitamente as dúvidas e até mesmo uma certa descrença que meu trabalho gera, inclusive na própria comunidade homossexual. Tendo, ao longo dos últimos 20 anos, me submetido a diferentes processos terapêuticos, estudado várias abordagens em psicoterapia e participado de inúmeros vivências grupais, pude perceber de forma inequívoca o poder transformador de um grupo formado só por gays, ao participar de um wokshop no Esalen Institue em 1999. Ali, juntamente com outros 19 indivíduos, vindos de vários estados americanos, com histórias pessoais muito diferentes entre si e diversos backgrounds sociais e culturais, tive a oportunidade de, pela primeira vez, vivenciar o verdadeiro sentido de comunidade. Homossexuais, na sua maioria, crescem se sentindo mais sós do que a maioria dos heterossexuais. Crescem não tendo um grupo de referência, e criados por pais heterossexuais, não têm a quem recorrer como fonte de aceitação, compreensão e suporte emocional. Aprendem desde cedo que devem esconder seus sentimentos verdadeiros e desenvolver uma identidade pública diferente de sua verdadeira natureza. Não têm modelos sociais em quem se inspirar e morrem de medo de que seu segredo venha a ser descoberto, levando a conseqüências muitas vezes imprevisíveis. Pesquisas demonstram ser o índice de suicídio entre adolescentes gays muitas vezes maior do que entre jovens heterossexuais. A experiência de se encontrar com outros indivíduos semelhantes e poder expressar sentimentos e compartilhar histórias em um ambiente seguro, acolhedor e confidencial, tende a gerar uma conexão interpessoal muito forte, que normalmente resulta em um impacto positivo na auto-estima desses indivíduos. A partir dessa experiência pessoal, fui me aprofundando na temática, ampliando minhas pesquisas e me envolvendo de forma mais direta na questão. Foi ficando cada vez mais claro, que, do ponto de vista do trabalho terapêutico, conhecer e compreender profundamente a dinâmica de desenvolvimento da orientação homossexual e as diferentes formas pelas quais essa dinâmica se manifesta ao longo da vida desses indivíduos, pode fazer uma grande diferença no resultado do processo de ajuda profissional. Isso não significa desmerecer ou desqualificar abordagens não especializadas, mas sim reconhecer o valor adicional que a especialização pode trazer. São muitos os relatos de pacientes em terapia que, muitas vezes, não são capazes de expressar suas angústias relacionadas a conflitos sobre orientação sexual de forma direta e objetiva, tanto em função de dúvidas e confusão sobre seus desejos e sentimentos, como também por vergonha ou medo da rejeição por parte do terapeuta. Assim, a terapia afirmativa, ao se propor a tratar a questão da orientação sexual de uma forma focalizada e positiva busca, antes de tudo, resgatar a auto-estima e fornecer o suporte emocional para o desenvolvimento de uma identidade homossexual e a sua integração às diferentes áreas da vida desses indivíduos. A minha experiência clínica, trabalhando com grupos e indivíduos e também como educador, tanto na internet como em palestras e debates, tem confirmado até o momento minha visão inicial e ampliado minha convicção de que a especialização nesse caso faz todo
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Klecius Borges |