Ando dentro da noite com a dor que é só minha,
dor exposta na rua à sandice de quem
é incapaz de entender a ausência de alguém
que poema se fez, fez-se canção e mito.

Dor latente em meu peito lacera e daninha
ao sabor do descaso da gente da rua;
faz-se cega e terrível, no corpo flutua
e se perde no tempo do azul infinito.

É uma dor que persiste e perto não vejo
nem te encontro na rua, és sombra no espaço
e, tão longe, não podes sentir meu desejo...

Se não podes saber do meu grande cansaço
neste ausente carinho, na inverdade de um beijo,
sinta ao menos minha dor, pois com ela te abraço! 


 
 

  
 

Juca de Melo

Nascido em Brasília, MG, (nome surrupiado para batizar a Capital Federal), é poeta bissexto. Desde a juventude faz versos para consumo próprio, satisfazendo-se mais como ledor de poesia... É jornalista profissional; ocupou, em Belo Horizonte e na cidade onde reside, todos os cargos de redação: repórter, noticiarista, articulista, diretor, editorialista. Não tem livros de poesia publicados. É a primeira vez que submete seus textos poéticos à apreciação do leitor, por influência de Lizete Mercadante Machado e da sopa de letras.

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