Bem, a gente nessa vida deve fazer, saber, de tudo um pouco. Não sei bem se é esse o ditado, mas é algo parecido.
Ano passado, na esteira dos enta, resolvi conhecer um SEX SHOP. Com o Digníssimo, é claro.
Mas, para não negar a minha sempre inquieta personalidade, não fui a um desses meio escondidos. Fui naquele discretíssimo da 23 de maio, uma das avenidas mais movimentadas de SP, todo pintado de roxo, com o letreiro enorme dizendo sexshop 24 horas. Tão escondidinho, tadinho, que para entrar tem que parar toda a avenida e para sair, ai, meu Jesus, dá até para ser reconhecido, tal o transtorno que causa... mas a verdade é: fui naquele porque não conhecia outro.
Toquei a campainha, uma linda morena abriu a porta.
- Vocês já conhecem a loja?
Apesar daqueles olhares de te-mato-se-disser-que-não do Dig (Digníssimo) claro está que disse não conhecer. E depois, não conhecia mesmo.
- Pois então vou mostrar a loja a vocês. 
A moça era gentilíssima, mas em minha cabeça já começava a sessão besteira. Fazer demonstração, como ela havia dito, era uma coisa a ser pensada. Num sex shop? Mas como eu não conhecia, fui ouvindo a moça e vendo as coisas. Sem pensar nadica de nada.
Ela ia falando e vou ser honesta, meu queixo ia caindo... de onde diabos tinha saído tanta coisa para a gente somente transar? Devo ter pensado alto porque ela me disse, quase brava: 
- Somente transar, não! Que transar tem um sentido de vida inteira...
Ainda era poeta, a moça. 
Entendam bem. Não menosprezo uma transada, fazer amor, ficar, afinal estava ali para isso mesmo, mas o que me deixava abismada era como tinha conseguido chegar aos 43 anos completamente virgem de sex shop.
Estava era boba comigo mesma e devo ter demonstrado.
A moça, a bonita morena, gentil, sempre, me disse:
- Espere que tenho uma coisa para você. 
Eu, deslumbrada com a loja, nem ouvi direito o que ela disse mas devo ter respondido um hum,hum qualquer, por educação.
A moça vem com uma coisa gelada, coloca na minha mão e pergunta: 
- Já usou isso? Já usaram? 
E olhou para ele e para mim. Eram bolas. Não sei bem até hoje para o que servem, mas, tontona, perguntei ao Dig (para provocar também - ele é muito bom de ser provocado, responde à flor da pele)
- Conheço? Já usamos?
Ele, cada vez mais sem graça, bravo, irritado, emburrado, foi indo para trás e acabou batendo num estande que estava quase encostado na parede.
Nem vou falar nada... quer dizer, vou sim... eram, segundo eu penso... bem... ai, como vou falar? Bem eram cópias de... não. Eram próteses... também não eram. Eram umas coisas assim, tá vendo? Pois é, assim, feitas de plástico, que eu acho que... bem, como eram ocas por dentro... ai, meus sais... que coisa mais difícil de explicar. Eram, na verdade vários pênis de borracha, enormes. De muitos tamanhos, larguras, desenhos e coloridos. Outro dia me contaram que se chamam ciborgue, mas naquele dia eu ainda não sabia disso. Para mim eram pintos de borracha. 
O caso é que batendo lá o Dig fez com que todos caíssem em cima dele. Foi uma chuva de pintos em cima dele e ele rebatendo, o negócio que era de borracha, batido, subia e voltava para cima dele e ele re-batia aqui e ali e os pintos subindo e descendo. 
Eu ri? Claro que sim, eu podia rir, mas a moça tadinha, com os olhos arregalados, olhava para cima e para baixo e ainda tinha que segurar a risada.
Solícita, foi ajudar o Dig retirando a pintaiada de cima dele. E foi daí que ele me saiu com essa pergunta:
- O que é isso? 
Com um pintão enorme na mão. Respondi batido:
- Se não sabe o que é isso, melhor a gente ir embora porque a visita à loja não vai valer para nada. 
E ri mais ainda. A moça riu também, mas como era o trabalho dela, ainda respondeu:
- Isso são próteses que o senhor pode usar para satisfazer melhor a sua mulher. 
Pra que ela foi falar aquilo? O homem, agora roxo na sua Dignidade e com um daqueles negócios na mão, também roxo, foi ter um ataque, mas quando abriu a boca não saiu palavra. Quis dar a tal da prótese que estava segurando para a moça, mas arranhou ou esfregou na mão que estava segurando... já imaginaram? Um homem com aquilo na mão, mas era um outro aquilo? Roxo? De borracha? Enormão? Tremendo na mão dele? Às vezes acho que ele teve razão em ter ficado meio bravo comigo, mas que era engraçado, era. 
- Doeu? - perguntei, me referindo a queda dele e dos pintos, mas a moça achou que estava falando da ralada do tal ciborgue e disse: 
- Imagina, olha só como o material é suave - e esfregou no dorso da mão dele e depois na minha. - Mas para não machucar, temos um óleo especial que evita atrito e é ótimo para massagem. 
Sem esperar, o Dig se viu sendo massageado... na mão, é claro, segurando aquela gororoba enorme e ela mandando ele passar o óleo na gororoba e ele, bravo, fechando a mão e esquecido da coisa que estava lá dentro. Custo foi fazer o homem abrir a mão e soltar a coisa. Coisa resistente, nem se abalou em ser tão amassada. O Dig é forte pra caramba.
Bem, para sairmos da loja levamos o tal do óleo de massagem... o ciborgue era caro demais. E depois, ainda sou a favor do natural.
Só não consigo entender porque o Dig fica bravo quando canto uma música que era do seriado que tinha um tal de Zé Borgue... qual seria a associação de idéias que ele anda fazendo?

26.05.2001
 

  
 

Maria Odila

Odeio biografias.
GRRRRRRRRRRRRRR... 

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