Eram dois, um cachorro e um homem. O primeira vira-lata, o segundo estava bêbado. Vinham andando pela calçada, de forma desencontrada. Às vezes um pela frente, às vezes, outro que ia. Despertavam olhares curiosos, o primeiro de carinho, o segundo de compaixão. Aquele um quarto de quarteirão foi andado penosamente. O primeiro sempre em pé, em suas quatro patas, o segundo, escorregando, às vezes de quatro ficando. Trôpega caminhada, do homem e seu cão. Mas de toda forma, caminhavam juntos. Mais juntos e solidários do que aqueles que riam para o cão, reprovando seu patrão. Iam os dois juntos, enfim; às vezes, um adiante, outras vezes, o outro que ia. Seguiram, assim, perfeitamente perfilados no desalinho daquela cidade sem tino.

2.10.00  

 

 
Adriana Gragnani

Paulistana, nascida na Maternidade Matarazzo – de tão triste fim. Os títulos acadêmicos não me incomodam. Assim, pode colocar algo do tipo ativista da cidadania. Minha cédula de identidade contém como nome Adriana Maria Carbonell Gragnani, mas assino só Adriana Gragnani. Como pejorativamente começaram a "pejorar" as mulheres que freqüentam a net como mulheres da net, assumo, sem pudor, que sou uma mulher da net.

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