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Começou tudo porque a primeira se chamava mesmo Violeta.
Tinha olhos
claros, nem sei mais se verdes ou azuis. Também não sou mais
capaz de dizer como foi que nos aproximamos. Só me lembro com
certeza de que comprei o vaso – eram azuis – coloquei no
parapeito da janela da cozinha e pensei: violetas para Violeta.
Ela veio e se
foi. Outras e mais outras vieram e nenhuma deixei ficar.
Mas mantive o hábito
de colocar um vaso para cada uma que chegasse.
Fui lhes dando
nomes. Depois de Violeta, foi Vera, Luísa, Marli, Edméia,
Sandra.
Há um rito em
podar-lhes as folhas fenecidas, em umedecer a terra e virá-las
para que recebam mais ou menos sol.
Eu sei quando
retribuem meu afeto. Elas florescem e é como se me sorrissem.
Violeta secou já
há muitos anos, e como hesitei em atirar ao lixo o vaso sem mais
nenhuma vida! Doeu-me como perder um amor.
Depois fui me
habituando, compreendendo que há um tempo para cada uma.
Não conto a
ninguém. Não entenderiam. E mulheres são ciumentas, muito mais
que as flores. Roberta, a que atualmente vem partilhar comigo
algumas horas de sexo e solidão, jamais seria capaz de olhar com
amor para Marisa, que ao seu lado floresce ainda alguns botões
lilases.
As cartas nunca
leio. Pico-as, atiro ao lixo ainda fechadas. Me aborrecem demais
as lágrimas, as lamúrias, as ameaças. Me aborrece que me olhem
com olhares dilacerados simplesmente porque me cansei e não as
quero mais.
Não quero
nunca explicar nada. Quando acaba, acaba, eu simplesmente tranco
uma porta. Também desligo imediatamente o telefone quando reconheço
alguma voz. E muito rápido me esqueço. Muito rápido todos os
traços de cada rosto, de cada corpo que partilhou minha cama,
somem nesse vasto horizonte de minha memória.
Me acusam de não
ter sentimentos.
É falso. Eu os
tenho, sim. Paula, Roberta, Luísa, Virgínia, Marli, todas sabem,
sem que eu nunca precise dizer. É por isso que florescem em minha
janela, violetas de todas as cores, e comigo ficam, silenciosas,
como deve ser.
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