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O chão

Sempre vou preferir o chão porque de realidade entendo.
Entendo não só do chão como desse subterrâneo cansado da monocultura, 
da queimada, da falta de biodiversidade
desta cidade em que tudo é mesmo rasteiro
como vejo na palma da minha mão.

O chão.
É isso que livra a gente do percurso per-verso
por mil versos e nada mais do que conversar sozinho e 
tecer mil falas dialogicamente 
inexistentes no fato.

O chão.
É esse lugar porto-seguro que salva a gente da deriva do imaginário
que faz ponte 
que faz ponto
entre projeto de verdade e chance de concretização.
Amo o chão.
Este lugar que mesmo salgado, ardido, ácido, carcomido
me coloca em movimento 
em transformação.
Conjecturar, pressupor, antever.
Quem sou eu pra controlar o que não posso tecer?

Vou seguindo
vou descansar
vou dormir um pouco
ouvir esta canção.
Só.
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Cor de Mar
                                                                   Curitiba, 11.07.99



Cor de Mar: caiçara do Paraná, jornalista com formação em psicanálise,
editora, escriba, amante da maré da vida. 

email: marbassfeld@hotmail.com
 

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