| O
chão
Sempre vou preferir
o chão porque de realidade entendo.
Entendo não
só do chão como desse subterrâneo cansado da monocultura,
da queimada,
da falta de biodiversidade
desta cidade
em que tudo é mesmo rasteiro
como vejo na
palma da minha mão.
O chão.
É isso
que livra a gente do percurso per-verso
por mil versos
e nada mais do que conversar sozinho e
tecer mil falas
dialogicamente
inexistentes
no fato.
O chão.
É esse
lugar porto-seguro que salva a gente da deriva do imaginário
que faz ponte
que faz ponto
entre projeto
de verdade e chance de concretização.
Amo o chão.
Este lugar que
mesmo salgado, ardido, ácido, carcomido
me coloca em
movimento
em transformação.
Conjecturar,
pressupor, antever.
Quem sou eu pra
controlar o que não posso tecer?
Vou seguindo
vou descansar
vou dormir um
pouco
ouvir esta canção.
Só.
.
Cor
de Mar
Curitiba, 11.07.99
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