distraidamente resolvi ir até a montanha,

O frio era tanto que levei vinho pra nos aquecer,
só ao chegar percebi que não havia arbustos,
as nascentes, ora as nascentes, já não brotavam água.
indeciso pedi ajuda a uma nuvem indecisa,
afiada mas desmemoriada ela apontou um brejo,
molhados os pés saquei a faca e o queijo,
e flutuei na relva tentando me encontrar.
respirei os ares os murmúrios e o silêncio,
exalei medo, incompreensão e não as vertigens da emoção,
me indignei com a natureza oculta e astuta,
a certeza, ora a certeza, ela só faz perder a alma.
não acendi tocha e não dei trela ao limbo,
menti descaradamente como nunca ousei,
prometi agulha pra donzela que recusa a linha,
e voltei pra onde eu deveria ter saído.

agosto/00


 
 

decepa à beça camisas e botões charles bourbon displantada do outro lado dormi comunanjo marcas não sou rapadura manhã de tesão nó das luzes da ursa maior vestir a mesa

 

 
  Paulistano, 52 anos, matemático, joga e brinca irresponsavelmente com cores, joga e brinca afetivamente com palavras (pretexto: articular, no som e na disposição estética, texto e contexto), conta causos, ouve impropérios e não é causídico, inimigo marcado do mercado e seu main stream, viveu em Cuba de 73 a 79, insiste em acreditar nas utopias, não dispensa Minister e bourbon.

E-mail: wmartani@bol.com.br