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eu
mergulhei em você que mergulhava no mar;
entrei na sua casa, uma maldita casa de praia,
casa de mar que me afogou
cuspi na sua chácara de cacrinhas,
sítio que me sitiou.
descobri
em você que homens têm mãos,
que tesão não é limitado pelo tempo,
que paciência não é ferramenta inútil;
descobri minhas azeitonas,
azeitonas irônicas e auto-suficientes
minha ironia é minha, é alta o suficiente
sou
amante; sou amante não reconhecida como tal;
tirei a roupa pra mim e no seu reclamo você tirou a máscara;
não tem endereço, não tem telefone, não tem mãe.
e eu o que tenho; sou surda ou é um surto?
descobri
um homem com mãos, com casas, sem endereço e sem passado,
mãos
que me devolvem a calma, a alma e a fé (que eu desdenho).
que no silêncio da cama me enfeitiça e me atordoa
me aperta os seios, me delicia e me faz delirar
me atira no éter, eu que quero o mar.
casas
que me fazem suspeitar
casas de amigos clandestinos
que você teima em me esconder
casas da mãe juana, porra!!!
endereço
e passado que me deixam passada
viajo nas feridas, nas lembranças e nos cacos
tropeço nos trópicos e no equador
tropeço na fronteira da realidade com a fantasia
preciso
de alguém que saboreie azeitonas irônicas
que beba das minhas bebidas, do jack ao café
fume das minhas fumaças sem
reclamar e sem suspeitar
que não fique na promessa,
que não se esconda na mentira,
de que adianta profissão de fé se na hora da opção sinto rejeição
o
que me acaricia são mãos ou luvas?
o que eu beijo, um rosto ou uma máscara?
o que me martiriza, realidade ou fantasia?
Novembro/98
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