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Dormi
como um anjo, como uma pedra;
como um pedreiro em construção;
dormi no contra leito e no contrapeito;
não dormi na contramão.
Acordei meio inspirado;
com um punhado de
versos na ponta dos dedos;
os mesmos que amaciam tua alma no fim da noite;
Pena, muita pena, que o trabalho me impede;
de burilar essa poesia de peito e tesão;
mas, tem sempre um mas na história;
hoje a noite te pego de jeito;
com os dedos, com a
língua e com o pinto;
eu passo a limpo e boto no teu corpo;
o que faltou de rima e harmonia;
nestes versos de paixão.
AGOSTO/98
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