Procuro o iceberg

raiva

que fora de hora

em meio a maremotos

teimo em lhe mostrar;

uso espelho, microscópio,

lupa, bússola,

analista e mapa,

olho pra trás, pros lados

pra dentro de mim

e de você.

Descubro no canto dos seus

lábios

transparente pedaço

de gelo tímido,

ávido pra se esconder.

No visual, no laboratório,

no tato, no prato,

na cama, no fato,

se mostra do mesmo material

que meu iceberg emocional.

Nos traços, marcas

e ímpetos

descubro amarras,

amargas, ativas.

Linha num pedaço de gelo,

cabo de aço

na massa fria e flutuante,

A gente se segura

na mesma

insegurança afetiva.

 

 

 Março/98


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senhora do vinho, do queijo e do desalento decepa à beça charles bourbon displantada do outro lado dormi comunanjo marcas não sou rapadura manhã de tesão nó das luzes da ursa maior vestir a mesa