Você, o grão.
A fome, eu.
Numa noite em que o Olimpo não
comeu nem bebeu,
TCHAN!,
a gente se fodeu,
você e eu,
na beira da manhã.

Vinha vindo o dia,
eu fui mal-educado
(eu fui desesperado),
mas ia
perturbando devagar
sua burocracia.
Eu, a fome, a imaginar
se você me queria
ou se era coisa de um dia.

Ai, eu amava como se
o resto de dia fosse
o resto da vida, doce,
eu vivendo com você,
você vivendo pra mim.
E quase que a gente trouxe,
brincando assim,
um primeiro não-sei-quê
de sim.

 
 

 
  
 
Sergio de Castro Neves é funcionário público. Nasceu no Rio de Janeiro eainda não escolheu onde vai morrer.

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