|
|
Foi num domingo
desses, logo depois da pelada,
no boteco de seu Mané, portuga
sangue bom,
mas sempre de cara amarrada.
Nóis já tinha tomado
umas,
outras e mais algumas pra garantir.
Foi quando Joca deu a pala:
“Puta
meu!!! Será que grã-fino birita,
do jeito
qui nóis embala?”
Começado o bate-boca,
cada um com sua razão,
foi quando Antenor falou:
“Negócio
de grã-fino é pó,
tu tá
por fora, ô negão!”
Chegando bem de mansinho,
Menino Bento palpita:
“Podi
ser pó, é verdade,
mas num
é a seco, eles birita!”
Todo mundo se estranhando,
resolvi dá meu pitaco:
“O negócio
é chegá junto,
conferi
se é birita ou bagana,
o lance
é
marcá um apronto,
num boteco
de bacana”.
Antenor arrepiou
e falô quase engasgado:
“Nóis
tem capim pra isso,
tu deve
é ter pirado!”
Menino Bento, atrevido,
foi topando a empreitada
“Sai desta,véio
careta,
birita
é sempre birita,
onde tu
for, qualquer lugar
sempre
igual, feito buceta!”
Depois das pendenga acertada,
marcamos pro fim de semana,
nove hora, sem atraso,
e muito manso na cana.
Fomos lá pros Jardim,
escolhemo um boteco maneiro,
tinha música, tinha garção
e as mina, num puta pampeiro!
Sentamo meio acanhado,
mais nóis num ia passá
batido,
pedimo treis ismirnofe, e
dois dreier pra fica aquecido.
O tal de métre torceu o
nariz,
como se nóis estava fedendo,
Antenor emputeceu,
mais depois acabô cedendo.
Ficamo sacando as mina,
cada bunda, cada peito,
fomo ficano doidão,
Nóis é macho, num
tem jeito!
Menino Bento atrevido,
chegô junto de uma gata:
“Mais
tu é memo um carnão,
me dá
um tesão que mata!”
A morena era gostosa,
de lambê de cabo a rabo,
mais com um piqueno defeito:
tinha namorado brabo.
O pau ameaçô quebrá,
era hora de sair no braço,
mais olhando prum canto nóis
vimo,
Menino Bento no maió amasso!
Intão a morena falô,
bem alto, pro seu namorado:
“Isto
é que é macho dos bom,
grã-fino
é tudo viado!"
|